A ONU ainda tem alguma função?

A ONU ainda tem alguma função?

A pergunta volta sempre que uma nova crise internacional explode: a ONU ainda tem alguma função real?

Criada após a Segunda Guerra, a organização nasceu com a promessa de evitar novos horrores e mediar conflitos antes que se tornassem tragédias maiores. Hoje, porém, o contraste entre discursos e resultados é evidente. As reuniões se sucedem, resoluções são aprovadas, notas de “preocupação” são divulgadas. Mas, na prática, muitas guerras continuam, civis seguem expostos à violência e acordos raramente saem do papel.

Grande parte desse impasse está no Conselho de Segurança. O poder de veto dos membros permanentes transforma decisões urgentes em disputas políticas entre potências. Quando interesses estratégicos estão em jogo, resoluções que poderiam proteger populações ou pressionar governos simplesmente não avançam. A legalidade internacional depende, muitas vezes, da conveniência de quem tem mais força.

A Assembleia Geral, por sua vez, discute, registra e cobra. Produz relatórios importantes, estabelece princípios e cria memória. Mas carece de mecanismos eficazes para garantir cumprimento. Estados descumprem decisões sem enfrentar consequências concretas.

Isso não significa que a ONU seja inútil. Em diversas áreas, ela ainda faz diferença: coordena ajuda humanitária, apoia refugiados, promove campanhas de vacinação, monitora direitos humanos e mantém missões de paz que, em alguns casos, evitam situações piores. O problema é que, quando o assunto envolve guerra, soberania e disputa entre grandes potências, a capacidade de ação diminui drasticamente.

A questão central talvez não seja se a ONU funciona, mas se os países realmente permitem que ela funcione. Reformas discutidas há décadas, como limitar vetos e fortalecer mecanismos de proteção a civis, esbarram sempre nos mesmos interesses.

Enquanto isso, o mundo assiste ao mesmo roteiro: crise, reunião, discurso, resolução. E pouca mudança concreta. A ONU continua necessária, mas só será relevante de fato se deixar de ser um espaço de registro e voltar a ser um instrumento de ação.

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