Com referências às obras de Guimarães Rosa, Tchaikovsky e Kurosawa, jovem cineasta da periferia de BH dirige documentário sobre masculinidade nas periferias

Com referências às obras de Guimarães Rosa, Tchaikovsky e Kurosawa, jovem cineasta da periferia de BH dirige documentário sobre masculinidade nas periferias

O jovem documentarista belo-horizontino Ben hur Nogueira, 24 anos, oriundo do Aglomerado Morro das pedras em BH, uma das novas vozes do cinema periférico nacional começou a rodar seu mais novo projeto já intitulado “Réquiem para Narciso”, seu próximo documentário que irá tratar de temas como  masculinidade e afeto em meio ao mundo dos homens da periferia com referências às obras do escritor Guimarães Rosa, do compositor russo Tchaikovsky e do antológico cineasta japonês Kurosawa.

Com previsão de lançamento para  a segunda metade de 2026, “Requiém para Narciso” narra sete homens moradores de uma favela brasileira compartilham seus mais profundos segredos sobre memória, saudade e afeto.

A ideia de utilizar sete homens de uma favela brasileira é uma homenagem ao filme “Sete samurais” do cineasta japonês Kurosawa enquanto temas como masculinidade tóxica,afeto e saudade no mundo dos homens é uma homenagem aos contos “O duelo”, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, “Os irmãos Dagobé”, “A terceira margem do rio”, todos contos do escritor mineiro Guimarães Rosa, o escritor favorito de Ben, enquanto a trilha sonora faz homenagens ao compositor russo Pier Tchaikovsky, que escreveu O lago dos cisnes que participa da obra.

No título, Ben hur ainda presta homenagem ao conto grego de Narciso que segundo Nogueira: “ Para mim o conto da queda de Narciso se dá ao seu olhar para um reflexo seu, o mesmo reflexo que tenho para minha favela(Morro das pedras) sempre que estou por lá . Segundo Oscar Wilde(escritor britânico da era vitoriana), o lago onde Narciso caiu lamentou sua morte pois via nele sua própria beleza. É um reflexo onírico ao mesmo tempo cruel. Me vejo preso no conto de Narciso. Meu objetivo neste documentário é trazer este reflexo e através da queda, propor uma quebra dos estereótipos dos homens da periferia brasileira. Réquiem para Narciso é um reflexo sobre homens periféricos na posição de saudade, memória e sobretudo afeto.”

A ideia para o filme surgiu depois da leitura do livro O alquimista de Paulo Coelho onde Ben se interessou sobre o conto de Narciso e resolveu unir temas como sexualidade, masculinidade e ego próximos ao conto grego. Ben se inspirou em “Os irmãos Dagobé” e “O duelo” para mostrar como a masculinidade saudável se liga muito mais em demonstrações de afeto ante a violência. Para Ben, a literatura de Rosa propõe duas visões para uma visão quintessencial da masculinidade:” a toxicidade que é resultante da violência e opressão e as demonstrações de afeto e humanidade, que estão presentes nos contos “A terceira margem do rio” e “Os irmãos Dagobé”, onde vemos homens sendo afetuosos buscando perdão, redenção e humanidade em meio a violência que os cerca.”

Com previsão de lançamento para o meio de 2026 “Réquiem para Narciso” anuncia uma nova fase de Ben hur no cinema nacional onde ele tratará de afeto, saudade e solidão das pessoas moradoras de favelas em meio à selva de pedra das grandes cidades enquanto anseiam por um futuro melhor.

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