Ouro Preto se consolida como polo estratégico da mineração com novos investimentos da Vale e Gerdau

Ouro Preto se consolida como polo estratégico da mineração com novos investimentos da Vale e Gerdau

Ouro Preto volta a ocupar posição central no mapa da mineração brasileira. Projetos recentes da Vale e da Gerdau, somados a novos investimentos previstos até 2030, estão reposicionando o município como um dos principais polos de produção de minério de ferro do país.

Enquanto a Vale retomou operações históricas e modernizou estruturas, a Gerdau avança com obras de expansão em Miguel Burnier, distrito ouro-pretano que volta a ganhar protagonismo econômico e logístico.

Os movimentos reforçam a tendência de crescimento do setor em Minas Gerais e, especialmente, em Ouro Preto, onde a mineração se conecta a debates sobre economia, emprego, tecnologia, sustentabilidade e uso do território.

Mina Capanema marca nova fase da Vale em Ouro Preto

A Mina Capanema, localizada em Ouro Preto, voltou a operar após mais de 20 anos de paralisação. A reabertura, realizada em setembro de 2025, contou com cerimônia oficial, presença do governador Romeu Zema e executivos da companhia.

O projeto representa um dos marcos recentes da Vale em Minas Gerais.

A retomada exigiu cerca de R$ 5,2 bilhões em investimentos, incluindo:

  • modernização das instalações
  • integração com outras minas da região
  • adoção de modelo produtivo sem uso de água, eliminando rejeitos e barragens
  • introdução de caminhões autônomos e tecnologias de reaproveitamento de material

Com a nova configuração, Capanema deve acrescentar 15 milhões de toneladas por ano à produção da mineradora.

A obra mobilizou 40 empresas e chegou a empregar 6 mil trabalhadores no pico das atividades, com prioridade para contratação local. Atualmente, cerca de 800 profissionais atuam diretamente na operação.

Ouro Preto no centro dos investimentos da Vale até 2030

A reativação de Capanema integra um plano maior. A Vale projeta R$ 67 bilhões em investimentos em Minas Gerais até 2030.

Os recursos devem ser direcionados para:

  • filtragem e empilhamento a seco
  • descaracterização de barragens
  • modernização de complexos operacionais
  • produção de minério de maior teor

A meta é reduzir a dependência de barragens de 30% para 20% e ampliar a oferta de produtos voltados a rotas siderúrgicas de menor emissão de carbono.

Segundo estimativas da empresa, os projetos podem gerar:

  • R$ 440 milhões por ano em royalties
  • cerca de R$ 3 bilhões anuais em salários
  • impacto direto para aproximadamente 60 mil profissionais

Mineração circular e reaproveitamento em Ouro Preto e região

Outro eixo de atuação da Vale tem sido a chamada mineração circular, que reaproveita estruturas antigas e rejeitos.

Somente no primeiro semestre de 2025:

  • foram 9 milhões de toneladas reaproveitadas
  • alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior

Entre os exemplos, estão:

  • produção de areia sustentável a partir de rejeitos
  • reaproveitamento de estruturas em descaracterização
  • iniciativas como a Fábrica de Blocos em Itabirito

As ações buscam reduzir impactos ambientais e gerar novos produtos a partir de materiais antes descartados.

Gerdau expande operações em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto

O distrito de Miguel Burnier, em Ouro Preto, também passa por mudanças importantes.

A Gerdau está na reta final de implantação de um amplo projeto de mineração. Segundo o CEO Gustavo Werneck, 90% das obras estão concluídas, com previsão de início de operação entre 2025 e 2026.

O plano prevê:

  • aumento de produção em cerca de 2 milhões de toneladas até 2026
  • parte destinada ao mercado
  • parte voltada ao abastecimento da usina de Ouro Branco, localizada a 13 km

Para otimizar o transporte, a empresa constrói um mineroduto, reduzindo a circulação de caminhões nas estradas. O empreendimento inclui também um rejeitoduto de 10 km e conta com financiamento de R$ 566 milhões do BNDES.

A companhia afirma que o projeto está sendo conduzido de forma gradual, com prioridade para logística eficiente e redução de impactos.

Efeitos econômicos para Ouro Preto e para Minas

Segundo estudo da Fipe, as atividades da Vale representaram 3,5% do PIB mineiro em 2023. O estado respondeu por cerca de 45% da produção total da companhia no período.

Em Ouro Preto, a presença das mineradoras dialoga com:

  • geração de emprego e renda
  • prestação de serviços
  • arrecadação municipal
  • projetos sociais, culturais e ambientais

Entre 2020 e 2024, foram R$ 370 milhões investidos em cultura, além da manutenção de 73 mil hectares de áreas preservadas no estado.

Oportunidades e novos empregos

O movimento de expansão também se reflete na abertura de vagas técnicas e operacionais.

Entre as funções divulgadas em etapas recentes de contratação estão:

  • operador de beneficiamento
  • técnico de manutenção
  • eletricista
  • analista técnico
  • soldador
  • técnicos de automação e qualidade

As oportunidades tendem a acompanhar o avanço dos projetos nos próximos anos.

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