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Hulk: O legado de um ídolo que mudou o patamar do Galo para sempre
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Hulk: O legado de um ídolo que mudou o patamar do Galo para sempre

by Luís Fabiano 06/01/2026
written by Luís Fabiano

A chegada de Hulk marcou um divisor de águas que transformou o patamar competitivo do Atlético-MG nos últimos anos. Sob sua liderança, o clube encerrou jejuns históricos e empilhou troféus, estabelecendo uma hegemonia que começou com os títulos do Brasileiro e da Copa do Brasil em 2021. Além de ser a referência técnica indiscutível, o atacante se provou um investimento sem precedentes no futebol sul-americano, mantendo uma regularidade física e goleadora que o colocou no topo da lista de artilheiros da nova Arena MRV.

Negociação

De acordo com informações do portal ge, o futuro do ídolo do Atlético-MG sofre um momento de forte impasse. O estafe do jogador busca uma rescisão amigável, mas o Galo se ampara na multa rescisória de R$ 60 milhões para segurar seu capitão. Enquanto o clube tenta esfriar os ânimos para manter o atacante vinculado ao contrato, o descontentamento de Hulk com termos da última proposta atleticana abriu espaço para o Fluminense, que já apresentou uma oferta oficial pelo camisa 7. As partes devem se reunir novamente em breve para tentar um consenso.

Um super-herói

Na Arena MRV, o camisa 7 consolidou-se como o maior artilheiro e principal garçom da nova casa alvinegra. Em 57 partidas disputadas, o atacante acumulou 22 gols e 17 assistências, ostentando uma média impressionante de 0,70 participação direta em gol por jogo. Seus tentos na “Casa do Galo” estão distribuídos entre o Brasileirão (16), Mineiro (3), Sul-Americana (2) e Libertadores (1).

Já no Mineirão, o impacto é histórico. Hulk é o maior goleador do Gigante da Pampulha desde a sua reinauguração em 2013. São 59 gols em 83 jogos, uma marca que atravessa todas as competições. No Gigante, seus gols se dividem entre o Campeonato Brasileiro (20), Mineiro (19), Libertadores (12), Copa do Brasil (7) e Sul-Americana (1). Os números reforçam que, seja na nova ou na velha casa, o território mineiro tem um dono absoluto.

Recordes

Para além do posto de artilheiro máximo do Atlético-MG no século XXI, Hulk coleciona recordes que o imortalizam na história alvinegra. Sob a mística da camisa 7, o atacante estabeleceu marcas que definem uma era de protagonismo absoluto:

  • Artilheiro do Galo no século XXI (135)
  • Garçom do Galo no século XXI (53)
  • Artilheiro do Galo em jogos internacionais (20)
  • Artilheiro do Galo na Libertadores (16)
  • Artilheiro do Galo na Copa Sudamericana (4)
  • Artilheiro da Arena MRV (22)
  • Garçom da Arena MRV (17)
  • Artilheiro do Novo Mineirão (59)
  • Artilheiro do Atlético nos pontos corridos da Série A (64)
  • Maior artilheiro anual do Atlético desde 2009 (36 gols em 2021)
  • 2º Artilheiro do Galo no Brasileirão (64)
  • 3º Artilheiro do Galo na Copa do Brasil (13)
  • Único jogador da história do Galo e da era profissional de Minas Gerais a ser artilheiro por quatro anos seguidos do Mineiro.

Hulk pelo Galo

  • 289 jogos
  • 135 gols
  • 53 assistências
Hulk é homenageado na Arena MRV. Foto: Pedro Souza / Atlético
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Opinião: Por que o 'não' para a saída de Kaio Jorge é uma decisão correta do Cruzeiro
EsporteCruzeiroFutebolOpinião

Opinião: Por que o ‘não’ para a saída de Kaio Jorge é uma decisão correta do Cruzeiro

by Luís Fabiano 02/01/2026
written by Luís Fabiano

Artilheiro do Brasil nas duas maiores competições nacionais (Brasileirão e Copa do Brasil), Kaio Jorge é um destaque com ‘D’ maiúsculo no cabuloso. O atacante, com passagens por gigantes do futebol como Juventus e Santos, chegou ao elenco no início de 2025. O começo do atleta na Raposa foi bem difícil; com dificuldades de adaptação, ele só se ‘achou’ no time após a chegada do treinador Leonardo Jardim.

Memóravel

Kaio Jorge transformou estatísticas em história viva com a camisa celeste em 2025. Ao registrar 26 gols e 9 assistências, o centroavante não só comandou a ofensiva, como também quebrou um tabu que perdurava por mais de meio século. Desde 1970 a torcida da Raposa não via um jogador do clube no topo da artilharia do Campeonato Brasileiro.

A novela

As tratativas iniciaram com uma proposta de 30 milhões de euros, livre de trocas. Na sequência, o Flamengo subiu a oferta para 32 milhões de euros (cerca de R$ 207 milhões), incluindo o atacante Everton Cebolinha como moeda de troca. Entretanto, a diretoria mineira mantém o jogo duro: embora aceite a inclusão de outros jogadores, o Cruzeiro exige que o montante final da operação atinja os 50 milhões de euros.

Luiz Araújo é outro nome que agrada ao Cruzeiro, mas o Rubro-Negro já colocou um freio nas expectativas mineiras. Por ser um atleta fundamental para Filipe Luís, o Flamengo trata o jogador como inegociável neste momento.

Segundo o portal GE, a diretoria celeste descarta qualquer possibilidade de venda do atacante nesta janela de transferências. A manutenção do atleta foi uma das exigências imediatas do técnico Tite ao assumir o comando da equipe. Além do respaldo do treinador, o Cruzeiro está protegido por uma multa rescisória astronômica de 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 652 milhões).

A postura

Há pouco tempo, o torcedor cruzeirense estava acostumado a ver seus destaques saírem na primeira oferta razoável para sanar dívidas imediatas. Mas o cenário mudou. O “não” enfático do Cruzeiro às investidas do Flamengo por Kaio Jorge não é apenas uma negociação de valores, é um manifesto de que a Raposa voltou a se comportar como o gigante que sempre foi.

Aceitar 30 ou 32 milhões de euros por um jogador que entregou 26 gols e 9 assistências em uma única temporada seria um erro histórico. O jovem atleta em uma temporada fez o que ninguém conseguia desde 1970: devolveu ao Cruzeiro o posto de ter o artilheiro do Brasileirão. O clube finalmente encontrou um jogador que veste a responsabilidade com a mesma naturalidade com que balança as redes. Abrir mão disso para reforçar um concorrente direto, por um valor “abaixo” do normal, seria um “suicídio esportivo”.

02/01/2026 0 comments
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‘Um Conto de Natal’: Por que a obra de Charles Dickens ainda é atual e transformadora?
Universo dos Livros

‘Um Conto de Natal’: Por que a obra de Charles Dickens ainda é atual e transformadora?

by João Paulo Silva 26/12/2025
written by João Paulo Silva

No clássico atemporal de Charles Dickens, “Um Conto de Natal” (“A Christmas Carol”), Ebenezer Scrooge surge como um personagem que simboliza a redenção. A transformação de alguém avarento e solitário para uma pessoa benevolente e generosa. Trata-se de uma narrativa alegórica que se tornou um ícone cultural, reconhecida mundialmente. Talvez seja a obra literária que mais representa o espírito natalino.

Dickens apresenta logo de início um retrato vívido de Scrooge: ele é descrito como “um velho sovina, avarento, mesquinho, unha de fome e ganancioso! Duro e áspero como uma pedra de amolar, não era possível arrancar dele a menor faísca de generosidade.”. Em outras palavras, uma pessoa consumida pela busca incessante de riqueza, indiferente ao bem-estar dos outros. Seu famoso bordão “Que bobagem!” expressa seu desprezo pelo Natal e pela vida alheia.

A trajetória de Scrooge sugere que ele não nasceu assim, mas que fatores externos e experiências de vida foram determinantes para sua personalidade amarga. Dickens, através de sua narrativa, revela as escolhas e acontecimentos do passado de Scrooge que o conduziram até aquele ponto. O leitor passa a ter ciência disso a partir das experiências sobrenaturais que o personagem tem no decorrer da história, onde ele é guiado pelos fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro.

O primeiro, o Espírito do Natal Passado, mostra cenas da juventude de Scrooge, incluindo sua solidão na infância, momentos de alegria com seu antigo patrão e o rompimento de seu noivado devido à sua ganância. O segundo, o Espírito do Natal Presente, revela como outras pessoas, inclusive a pobre família Cratchit, celebram o Natal com afeto, apesar das dificuldades. O terceiro, o silencioso Espírito do Natal Futuro, apresenta um futuro sombrio.

Com este enredo, Dickens transmite ao leitor a ideia de uma história sobre um homem confrontando as consequências de suas escolhas ao longo da vida, algo com que todos podemos nos identificar. Todos nós precisamos refletir sobre nosso passado ao longo do caminho. Se não o fazemos, a vida encontra uma maneira de nos mostrar.

Ao acordar na manhã de Natal, Scrooge é outra pessoa. O homem que antes era insensível e egoísta renasce com um espírito de generosidade e amor ao próximo. Isso mostra que nunca é tarde demais para fazer mudanças que tornem o nosso mundo um lugar melhor. Não podemos mudar o passado, mas temos até o último milésimo de segundo para refletir e mudar os rumos de nossas vidas.

A redenção de Scrooge é uma prova do poder transformador da autorreflexão e da capacidade de mudança que existe em cada um de nós. Dickens criou uma parábola e uma fábula atemporal, lembrando-nos de examinar nossas vidas, aprender com o passado e abraçar a oportunidade de uma transformação que nos é ofertada constantemente. A obra convida à reflexão sobre valores humanos e sociais: é sobre tirar o olhar de si mesmo e direcionar para o outro, no sentido de entender, acolher e, se for possível, ajudar.

26/12/2025 0 comments
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Resenha: ‘Aos Olhos de Ayo’ e a mitologia afro-brasileira na guerra do Paraguai
Universo dos Livros

Resenha: ‘Aos Olhos de Ayo’ e a mitologia afro-brasileira na guerra do Paraguai

by João Paulo Silva 26/12/2025
written by João Paulo Silva

“Aos Olhos de Ayo: O Despertar do Filho de Oxum” é um romance de fantasia histórica escrito por Allison RDS e publicado em 2017 pela Editora Pendragon. A obra está ambientada no Brasil do século XIX, durante a Guerra do Paraguai (1864–1870), período marcado por conflitos armados, tensões políticas e pela escravidão. Inserido nesse contexto histórico, o livro combina acontecimentos reais com elementos da mitologia afro-brasileira, especialmente a presença dos orixás, integrando espiritualidade, cultura e história em uma narrativa ficcional.

O enredo acompanha Ayo, um homem negro escravizado que se vê envolvido diretamente nos acontecimentos da Guerra do Paraguai. A narrativa se inicia a partir do ataque a um navio brasileiro no rio Paraguai, evento que desencadeia o conflito armado. A partir desse ponto, a história passa a acompanhar diferentes personagens cujas trajetórias se cruzam ao longo da guerra, entre eles Bárbara, Miguel, Enzo e Yolanda, cada um representando experiências distintas dentro do cenário social e histórico do período.

Ayo ocupa posição central na narrativa. Sua trajetória é marcada pela ligação com a espiritualidade de matriz africana, especialmente com o orixá Oxum, que orienta e protege seu caminho. Essa dimensão espiritual se desenvolve paralelamente aos acontecimentos históricos, fazendo com que entidades da mitologia afro-brasileira atuem simbolicamente no desenrolar da trama. A presença dos orixás estabelece um diálogo entre o plano humano e o plano mítico, ampliando o alcance narrativo da obra.

Os personagens secundários contribuem para a compreensão do impacto da guerra sobre diferentes grupos sociais. O romance apresenta deslocamentos geográficos, batalhas, perdas e mudanças profundas na vida dos personagens. A linguagem utilizada é descritiva, com atenção ao ambiente, às ações e às relações entre os personagens, alternando momentos de conflito com passagens voltadas à dimensão cultural e espiritual.

“Aos Olhos de Ayo” apresenta uma narrativa que articula ficção, história e mitologia afro-brasileira em um mesmo espaço literário. Ao situar seus personagens no contexto da Guerra do Paraguai e da escravidão no Brasil, o livro oferece uma visão ampla do período, destacando elementos sociais, culturais e espirituais que influenciam o desenvolvimento da tramae contribui também para a compreensão da obra como um romance que dialoga com o passado brasileiro a partir de uma perspectiva ficcional e culturalmente situada.

RDS, Allison. Aos Olhos de Ayo: O Despertar do Filho de Oxum. São Paulo: Editora Pendragon, 2017.

26/12/2025 0 comments
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A memória fragmentada da ditadura no livro ‘Reflexos do Baile’, de Antonio Callado
Universo dos Livros

A memória fragmentada da ditadura no livro ‘Reflexos do Baile’, de Antonio Callado

by João Paulo Silva 16/12/2025
written by João Paulo Silva

Publicado em 1976, “Reflexos do Baile” é um romance híbrido (diário e epistolar), de Antonio Callado (1917-1997), que retrata o trauma do Brasil durante o regime militar. A obra abandona a narrativa linear para compor uma colagem de documentos, bilhetes e fragmentos que simulam um dossiê oficial. Esse projeto estético é uma estratégia literária para representar a realidade da censura e da violência de Estado, posicionando-se como um ato de resistência pela reconstrução da memória.

A história é construída em torno do sequestro de embaixadores durante um baile de gala no Rio de Janeiro, uma ação típica da guerrilha urbana da época para negociar a libertação de presos políticos. O romance, no entanto, não foca apenas na ação, mas nas múltiplas perspectivas, como a de guerrilheiros, diplomatas, agentes da repressão e seus familiares. E é justamente essa estrutura epistolar e fragmentada que permite ao leitor conferir várias versões de um mesmo fato.

Callado estabelece um diálogo crítico entre a repressão dos anos 1970 e a Guerra de Canudos (1896-1897). Numa espécie de alegoria histórica, o autor expõe a violência como um traço contínuo e estruturante do poder no Brasil, que ecoa a prática da ditadura de suprimir memórias e aniquilar opositores, tratados como “inimigos internos” a serem extirpados.

Em contraste com o tom utópico, mas igualmente político, de “Quarup” (1967), romance anterior do autor, “Reflexos do Baile” não celebra a resistência armada, mas documenta seu fracasso, a desarticulação política da esquerda e as consequências trágicas da repressão. A fragmentação formal espelha essa desagregação ideológica, enquanto o corpo torturado emerge um sistema que produz arquivos incompletos e versões oficiais distorcidas.

Apesar de ser uma obra esquecida e “condenada” às prateleiras de sebos, o romance é de suma importância. A fragmentação, enquanto forma e conteúdo, sintetiza o esforço de recompor uma história também fragmentada e reforça a relevância da obra para compreender literatura, política e memória no Brasil. Se você leu “Ainda estou aqui” (2015), de Marcelo Rubens Paiva. precisa ler “Reflexos do Baile”.

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AtléticoCruzeiroEsporteFutebolOpinião

O gosto amargo da marca da cal

by Luís Fabiano 15/12/2025
written by Luís Fabiano

A temporada de 2025 chega ao seu final, mas o cenário futebolístico mineiro carrega uma nota de melancolia, especialmente para os torcedores de Cruzeiro e Atlético-MG. Os grandes protagonistas da dor não foram os adversários, mas sim suas próprias esperanças: Hulk e Gabigol. Ambos falharam em momentos cruciais, transformando a reta final do ano em uma retrospectiva de oportunidades desperdiçadas.

Hulk e o Sonho da Sul-Americana

Ídolo do Atlético desabafa após vice na Sul-Americana: "Desistir nunca é uma opção"
Declaração do ídolo do Galo – Via: Instagram

Para o Atlético, o golpe veio na final da Copa Sul-Americana. Em um jogo tenso, Hulk, a referência técnica e o capitão da equipe, teve a chance de ser o herói. No entanto, sua cobrança de pênalti na disputa final foi defendida, custando o título ao Galo. A falha do atacante, conhecido pela sua potência e frieza, virou o símbolo da frustração atleticana no ano, deixando um vazio na galeria de troféus do Atlético, que buscava o título pela primeira vez.

Gabigol e a eliminação da Copa do Brasil

"Assumo minha responsabilidade e meu erro", diz Gabigol após perder pênalti decisivo na Copa do Brasil
Crédito: Rafael Vieira/Cruzeiro

Já no lado azul, o drama se deu na semifinal da Copa do Brasil. Gabigol, jogador do Cruzeiro desde 2025, viveu o seu momento mais difícil com a camisa celeste ao perder a cobrança de pênalti contra o Corinthians. O erro foi decisivo, selando a eliminação da Raposa e impedindo a chegada à grande final. A falha apenas intensificou os rumores, já apurados pelo GE, de que Gabigol pode não permanecer no clube em 2026.

Pensar em 2026

Para ambas as torcidas, o que fica não são os gols bonitos, mas a imagem crua dos seus principais atacantes desolados. É o peso de saber que o talento é importante, sim, mas que a frieza nos momentos decisivos, aquela capacidade quase desumana de manter a calma sob pressão, é o que realmente separa o grande jogador do lamento. E essa lição amarga é o que eles levarão para 2026.

15/12/2025 0 comments
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Maior campeão, Cruzeiro se apega à série invicta contra o Corinthians para buscar vaga na final da Copa do Brasil
CruzeiroEsporteFutebol

Maior campeão da história, Cruzeiro aposta na série invicta contra o Corinthians para buscar vaga na final da Copa do Brasil

by Luís Fabiano 09/12/2025
written by Luís Fabiano

Finalizado o Campeonato Brasileiro, é hora de decisão na Copa do Brasil, e o confronto da semifinal desta quarta-feira (10) no Mineirão entre Cruzeiro e Corinthians traz um forte contraste: enquanto o maior campeão, a Raposa, chega embalada após terminar a Série A em uma sólida 3ª posição, com a vaga na fase de grupos da Copa Libertadores já garantida, o Timão finalizou a campanha nacional apenas em 13º, classificado, por ora, para a Copa Sul-Americana.

O confronto histórico traz dados interessantes. A última vez que o time paulista venceu o Cruzeiro em uma partida da Copa do Brasil foi em 2016, no jogo de ida das quartas de final, quando ganhou por 2 a 1. No entanto, a classificação para a semifinal daquele ano ficou com a Raposa, que goleou o Timão por 4 a 2 na partida de volta no Mineirão, eliminando o Corinthians.

Maior campeão da Copa do Brasil, Cruzeiro tenta quebrar jejum após 7 anos
Cruzeiro comemora em BH o hexa título da Copa do Brasil — Crédito: Vinnicius Silva/ Cruzeiro

A decisão da vaga será tomada rapidamente. O duelo de volta entre Corinthians e Cruzeiro já está marcado para o próximo domingo (14), às 18h (de Brasília), na Neo Química Arena. Quem levar a melhor no placar agregado dos dois jogos garantirá um lugar na grande decisão, onde enfrentará o vencedor da outra semifinal, disputada entre os rivais cariocas Vasco e Fluminense.

Últimos duelos entre eles:

  • 17/10/2018:
  • Corinthians 1-2 Cruzeiro
  • Fase: Final (Jogo de volta)
  • Resultado Final: Cruzeiro Campeão
  • 10/10/2018:
  • Cruzeiro 1-0 Corinthians
  • Fase: Final (Jogo de ida)
  • Resultado Final: Cruzeiro Campeão
  • 19/10/2016:
  • Cruzeiro 4-2 Corinthians
  • Fase: Quartas de Final (Jogo de volta)
  • Resultado Final: Cruzeiro Classificado
  • 28/09/2016:
  • Corinthians 2-1 Cruzeiro
  • Fase: Quartas de Final (Jogo de ida)
  • Resultado Final: Corinthians vencedor da partida

Arbitragem de Cruzeiro x Corinthians:

  • Árbitro: Anderson Daronco (RS)
  • Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Maira Mastella Moreira (RS)
  • VAR: Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
09/12/2025 0 comments
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A pressa e o risco: por que a desestatização da COPASA é um mau negócio para Minas
Coluna do PeixeOpinião

A pressa e o risco: por que a desestatização da COPASA é um mau negócio para Minas

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 03/12/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A aprovação, em primeiro turno, do projeto de lei (PL) do governador Romeu Zema (NOVO) que autoriza a desestatização da COPASA acendeu um alerta importante em nosso estado. A votação de terça-feira dia 02-12 ocorreu sob forte pressão política e pouca disposição para debate técnico, deixando vários pontos obscuros sobre os reais impactos da medida na vida dos mineiros. A pressa, nesse caso, não parece compatível com a complexidade do tema — tampouco com o tamanho da responsabilidade.

A promessa central do governo é de que a privatização trará maior eficiência para o saneamento básico no estado. No entanto, experiências recentes em outros locais do país sugerem o contrário. A expectativa de ampliação de investimentos costuma ser substituída por reajustes tarifários acima da inflação e serviços pouco sensíveis às necessidades sociais. Nada disso aparece claramente respondido no projeto aprovado.

Especialistas, além de entidades de trabalhadores e pesquisadores da área de políticas públicas, têm alertado que o modelo mineiro pode repetir erros já conhecidos. A COPASA, apesar de suas falhas, é reconhecida como uma empresa sólida, com capacidade comprovada de investimento. Desestatizá-la sem apresentar garantias concretas de melhoria significa entregar um serviço essencial à lógica privada — cuja prioridade, inevitavelmente, é o lucro de poucos em detrimento do interesse público.

Outro ponto a ser lembrado é a desigualdade entre os municípios mineiros. Cidades pequenas e médias, especialmente nas regiões mais distantes, dependem de subsídios cruzados para manter tarifas acessíveis. Uma empresa privatizada dificilmente terá interesse em operar onde o retorno financeiro é baixo. A consequência provável é a exclusão silenciosa: localidades menos rentáveis ficam à mercê de contratos frágeis ou de aumentos tarifários contínuos.

A tarifa, aliás, é a grande preocupação. O histórico das privatizações no setor de energia e saneamento no Brasil mostra que promessas de redução nunca se concretizam. Ao contrário: o consumidor costuma pagar mais, muitas vezes sem perceber melhora perceptível no serviço. O governo mineiro não apresentou cálculos que sustentem a tese de que as contas de água ficarão mais baratas — porque, ao que tudo indica, isso não ocorrerá.

Também chama atenção o momento escolhido para avançar com o projeto. Minas Gerais enfrenta graves dificuldades financeiras, dada à má gestão do governador, e há quem veja na COPASA como a oportunidade de levantar recursos imediatos. Mas vender um ativo estratégico para cobrir rombos momentâneos é uma decisão que compromete décadas futuras. É o tipo de solução fácil que costuma gerar problemas ainda maiores adiante.

Nas regiões onde a autarquia atualmente atua especialmente no interior do estado, prefeitos e vereadores têm demonstrado preocupação com os impactos da privatização sobre os serviços de abastecimento e tratamento de esgoto. Municípios que dependem de parcerias estáveis com a companhia temem que novos contratos, guiados exclusivamente pelo lucro, deixem demandas locais em segundo plano.

Outro aspecto raramente discutido é a fiscalização. Vender um ativo público não significa se livrar do problema: significa exigir um Estado ainda mais presente. Sem uma agência reguladora forte, democrática e com capacidade técnica, qualquer promessa de qualidade se perde. Hoje, entretanto, não há garantias de que esse aparato esteja pronto para controlar uma empresa privada que administraria um serviço vital.

O discurso de modernização, portanto, aparece mais como slogan do que como projeto consistente. Falta transparência, falta debate público e falta responsabilidade em relação ao impacto que essa decisão terá sobre milhões de mineiros. O saneamento é um direito básico, não uma mercadoria para ser negociada ao sabor das conveniências políticas.

A votação em primeiro turno não encerra o tema, mas deixa claro o rumo que o governo estadual pretende seguir. Resta saber se a Assembleia Legislativa, no segundo turno, estará disposta a discutir seriamente os riscos ou se continuará alinhada à pressa e aos interesses escusos que marcaram essa primeira aprovação. Minas Gerais merece mais do que decisões improvisadas sobre um serviço que define a qualidade de vida, a saúde pública e o futuro de muitas de nossas cidades.

03/12/2025 0 comments
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Carlos Márcio, escritor de Sabará/MG, vence o Prêmio Resistência 2025 com obra sobre racismo estrutural
Universo dos LivrosOpinião

Carlos Márcio, escritor de Sabará/MG, vence o Prêmio Resistência 2025 com obra sobre racismo estrutural

by João Paulo Silva 03/12/2025
written by João Paulo Silva

“Racismo: constante como o tempo” é o título do livro que transformou o sonho literário do mineiro Carlos Márcio em uma grande conquista. A obra venceu a categoria Poesia na quarta edição do Prêmio Resistência 2025, promovido pela Editora A Arte da Palavra, em São Paulo, uma iniciativa voltada exclusivamente a valorizar e dar visibilidade às vozes negras da nossa literatura.

Nascido em Sabará, cidade histórica a poucos quilômetros de Belo Horizonte, Carlos Márcio é escritor e também violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, cargo que ocupa desde 2013 após aprovação em concurso. Música e literatura, aliás, se entrelaçam como expressões de uma mesma força criativa, sonhos nascidos da mesma vibração interior.

Lançado recentemente, o livro premiado está disponível no site da editora. A obra denuncia a permanência do racismo estrutural. A sinopse resume muito bem: trata-se de “um chamado para que cada leitor reconheça que o racismo não é um fantasma do passado, mas uma constância do tempo”.

Essa constância é simbolizada tanto no título quanto na capa da obra, que reforça visualmente que o racismo, assim como o tempo, não para, ele se reinventa, se atualiza e segue incrustado nas fundações da sociedade. O livro convida à reflexão, à consciência e ao enfrentamento das violências históricas que ainda moldam a realidade de milhões de brasileiros.

Criado em 2022, o Prêmio Resistência nasceu com o propósito de celebrar produções literárias negras, fortalecendo suas narrativas, culturas, ancestralidades e experiências. Em 2025, a premiação chega à sua quarta edição consolidada como espaço legítimo de resistência, voz e celebração.

O reconhecimento à obra literária de Carlos Márcio é um marco, não apenas em sua carreira literária, mas em sua missão de traduzir em palavras as dores e esperanças de uma luta contínua. Sua conquista transmite o valor da representatividade e reafirma a importância de espaços que abracem, divulguem e honrem o protagonismo negro na literatura.

Parabéns à editora pela iniciativa!

Parabéns ao Carlos Márcio pela conquista! Que venha mais!

Crédito: Instagram/Editora A Arte da Palavra
03/12/2025 0 comments
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Do Sonho ao Pesadelo: O declínio do Atlético-MG após a decisão da Sul-Americana
AtléticoEsporteFutebol

Do Sonho ao Pesadelo: O declínio do Atlético-MG após a decisão da Sul-Americana

by Luís Fabiano 01/12/2025
written by Luís Fabiano

Após a dolorosa final da Copa Sul-Americana, o Atlético-MG amarga a segunda partida sem vitórias no Campeonato Brasileiro. O primeiro confronto pós-final foi um empate em 1 a 1 com o Flamengo, jogando na Arena MRV, onde o Galo viu a vitória escapar com um gol de Bruno Henrique nos minutos finais.

Crédito: Pedro Souza / Atlético

Na noite do último domingo (30), a situação piorou, com o Atlético sendo superado pelo Fortaleza no Castelão, pelo placar de 1 a 0, gol marcado por Tomás Pochettino para o Leão.

Complicação no Brasileirão

O resultado negativo contra o Fortaleza não só complica o Galo na briga por uma vaga no G-8, mas também força a equipe mineira a voltar a se preocupar com a parte de baixo da tabela. Com 45 pontos e apenas seis ainda em disputa, a diferença para o Internacional, primeiro time na zona de rebaixamento (Z-4), é de apenas quatro pontos. Em meio a um desempenho que não inspira confiança, o torcedor alvinegro segue temendo a possibilidade de um rebaixamento, especialmente porque o Atlético enfrentará o Palmeiras e o Vasco nas duas últimas e decisivas rodadas na Arena MRV.

Além do risco de queda, o Galo também corre o perigo de ficar de fora até mesmo da Copa Sul-Americana do próximo ano. Atualmente na 13ª colocação, o clube ocupa a última posição que garante classificação para a competição continental, e qualquer tropeço pode custar a presença do time em torneios internacionais na próxima temporada.

O resultado deixou o Leão do Pici com 40 pontos, ocupando a 18ª posição na tabela e vivo na briga contra o rebaixamento. O Atlético é o 13º, com 45. Na próxima rodada, o Galo recebe o Palmeiras na Arena MRV, na quarta-feira (3).

Classificação fornecida por Sofascore
01/12/2025 0 comments
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Segurança Pública: a força da coordenação entre União, Estado e municípios
Coluna do PeixeOpinião

Segurança Pública: a força da coordenação entre União, Estado e municípios

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 14/11/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A segurança pública é um desafio que atravessa todas as esferas de governo, mas sua eficácia depende da capacidade de articulação entre União, Estado e municípios. Cada nível possui atribuições específicas, mas problemas complexos como criminalidade urbana, tráfico de drogas e violência contra a população exigem mais do que ações isoladas: exigem planejamento conjunto e integração contínua.

Em muitas cidades brasileiras, inclusive as da nossa região, a fragmentação das políticas de segurança cria lacunas significativas. Programas estaduais podem não se comunicar com ações municipais, e iniciativas federais podem chegar sem conexão com a realidade local. O resultado é um sistema ineficiente, no qual esforços dispersos perdem força e oportunidades de prevenção se esvaem.

A convergência entre os entes não significa anular responsabilidades ou transferi-las de um para outro. Pelo contrário, trata-se de compartilhar inteligência, recursos e estratégias, trabalhando de forma complementar. Somente assim é possível evitar duplicidade de ações, sobreposição de recursos e, sobretudo, falhas que deixam a população desprotegida.

Essa integração deve se refletir tanto na rotina operacional quanto no planejamento estratégico. União, Estado e municípios precisam estabelecer canais permanentes de comunicação, coordenação de ações de policiamento e intercâmbio de informações, garantindo que cada decisão seja tomada com conhecimento do que está sendo feito nos outros níveis de governo.

Nossas cidades históricas são uma situação extremamente emblemática. Históricas e turísticas enfrentam desafios próprios, que vão desde o controle de eventos e fluxo de visitantes até a proteção de comunidades locais. Políticas de segurança desarticuladas podem afetar diretamente a vida cotidiana da população e comprometer a economia local. A inteligência coletiva entre os governos é, nesse contexto, um investimento em proteção e desenvolvimento.

Além da atuação policial, a integração deve contemplar programas preventivos e sociais. Educação, lazer, cultura e urbanismo são ferramentas poderosas para reduzir a violência, mas somente se forem planejadas de forma coordenada, evitando lacunas e sobreposições. A convergência entre entes fortalece essas ações e ampliam seus resultados.

Outro aspecto central é a gestão de recursos. A coordenação permite otimizar investimentos, direcionando verbas de maneira estratégica e evitando desperdícios. Um projeto que envolva os três níveis de governo é mais sustentável e aumenta o impacto das ações, garantindo que programas preventivos e de inteligência policial tenham continuidade.

A aproximação entre todos os entes também cria espaço para maior participação da sociedade. Conselhos comunitários, associações de moradores e entidades locais podem atuar de forma mais efetiva quando há clareza sobre responsabilidades e alinhamento de ações, fortalecendo a transparência e legitimidade das nossas políticas públicas.

Para nossas cidades, o futuro da segurança pública depende de mais do que ações isoladas ou respostas emergenciais. Exige diálogo permanente, articulação estratégica e um compromisso real com ações inteligentes que de fato protejam vidas, valorizem a cidadania e promovam condições para o combate às desigualdades regionais e sociais, nosso maior desafio estrutural e causa principal da criminalidade urbana.

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Kaio Jorge ou Pedro, qual dos dois merece mais ir à Copa do Mundo?
FutebolOpinião

Kaio Jorge ou Pedro, qual dos dois merece mais ir à Copa do Mundo?

by Luís Fabiano 11/11/2025
written by Luís Fabiano

O clima de Copa do Mundo chega e a pergunta já vem na mente: “quem será o 9 da Seleção?”. É o caso de Kaio Jorge e Pedro. Esperanças de gols de suas equipes, ambos também vivem a esperança de estarem presentes na lista dos 23 que estarão na convocação do italiano Carlo Ancelotti para o Mundial do ano que vem.

Sabemos que os dois atletas viveram altos e baixos durante a temporada, mas, afinal, como foi o 2025 deles?

Kaio Jorge X Pedro, qual 2025 melhor?

O atacante do Cruzeiro sofreu com alguns problemas no início do ano, com uma lesão no tendão sofrida na pré-temporada e ainda uma forte concorrência com a chegada do atacante Gabigol, mas voltou a fase de goleador com a contratação do técnico Leonardo Jardim em abril pela Raposa.

Atualmente, o atacante está empatado com o Arrascaeta na artilharia do Brasileirão 2025, com 17 gols, e é o artilheiro da Copa do Brasil com cinco gols marcados.

Números de Kaio Jorge na temporada:

  • 41 jogos
  • 22 gols
  • 7 assistências
  • Média de 3.0 finalizações por jogo
Kaio Jorge, atacante do Cruzeiro — Crédito: Gilson Lobo/AGIF

Pedro também passou por momentos complicados em 2025, talvez o mais marcante tenha sido a briga pública com o técnico Filipe Luís, logo após o Super Mundial de Clubes. Segundo o técnico, o atacante não estava se dedicando o suficiente nos treinamentos.

Semanas depois, o conflito foi contornado e em pouco tempo o 9 da Gávea voltou a ganhar espaço e balançar as redes e o coração dos rubro-negros. Atualmente, ele é o vice-artilheiro do Flamengo no Brasileirão, com 12 gols, atrás apenas do seu companheiro time Arrascaeta, já citado.

Números do Pedro na temporada:

  • 37 jogos
  • 15 gols
  • 7 assistências
  • Média de 2.0 finalizações por jogo
Pedro, atacante do Flamengo —Crédito: Gilvan de Souza/Flamengo

Dúvidas na escolha:

A proximidade de grandes decisões no calendário do futebol brasileiro, como a fase final da Copa do Brasil, a final da Libertadores e os últimos jogos do Brasileirão oferece uma última e crucial oportunidade para os atacantes Pedro e Kaio Jorge mostrarem seu valor e tentarem convencer o técnico da Seleção.

No entanto, a carreira de Kaio Jorge ainda é marcada por uma certa desconfiança devido à sua curta e ainda oscilante trajetória no futebol de elite, especialmente após o retorno do futebol europeu, onde não se firmou imediatamente. A continuidade e o peso de decidir jogos grandes serão cruciais nas próximas semanas.

Por outro lado, Pedro, já é um nome consolidado no futebol brasileiro e coleciona títulos importantes. Apesar da consistência em alto nível no país e da recente marca de 150 gols pelo clube, o jogador tem sido alvo de questionamentos persistentes: o atacante, mesmo com anos de destaque nacional, não tem recebido convites concretos ou ofertas de times de primeira linha da Europa para uma transferência.

11/11/2025 0 comments
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Mobilidade Urbana e Ferroviária – breve comparativo entre China e Brasil
Coluna do Peixe

Mobilidade Urbana e Ferroviária – breve comparativo entre China e Brasil

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 06/09/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

O debate sobre mobilidade urbana e infraestrutura de transporte é central para compreender as diferenças no desenvolvimento econômico e social entre países emergentes. Nesse sentido, quando comparamos China e Brasil percebemos dois modelos contrastantes. Enquanto o primeiro se consolidou como referência mundial em metrôs e trens de alta velocidade, nós ainda enfrentamos desafios básicos para oferecer transporte público eficiente e acessível.

Nos últimos 20 anos, os chineses expandiram de forma impressionante sua malha ferroviária de alta velocidade, conectando cidades distantes com trens-bala que atingem mais de 350 km/h. Esse avanço não apenas encurtou distâncias, mas também integrou mercados regionais, estimulou o turismo e fortaleceu cadeias produtivas. Por aqui, embora contemos com dimensões continentais semelhantes, não conseguimos implementar projetos de grande porte nessa área.

O metrô é outro exemplo revelador. Metrópoles como Pequim, Xangai e Guangzhou possuem redes extensas e modernas, que atendem milhões de passageiros diariamente. Em nosso país, mesmo nossas principais cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm linhas restritas e sobrecarregadas, fruto de décadas de subinvestimento em transporte público. Essa disparidade contribui para a persistência de congestionamentos urbanos e da dependência do automóvel particular.

Mobilidade Urbana e Ferroviária – breve comparativo entre China e Brasil
Crédito: Pedro Peixe

No caso chinês, o Estado atuou de forma decisiva para transformar o transporte de trens em vetor de crescimento econômico, consolidando um modelo de planejamento centralizado. Já no Brasil, onde não temos um planejamento governamental claro que tenha os investimentos públicos em infraestrutura ferroviária como uma de nossas prioridades; vimos ao longo das décadas o aumento exponencial do transporte rodoviário graças ao interesse do setor automotivo.

Outro aspecto importante é a integração territorial. Enquanto no país oriental, os trens de alta velocidade ligam áreas industriais a centros urbanos, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade no comércio internacional, no Brasil, a ausência de infraestrutura ferroviária moderna limita o potencial de integração nacional e reforça a dependência de rodovias, muitas vezes em más condições.

O financiamento é outro ponto central. A China apostou em investimentos públicos maciços, complementados por parcerias estratégicas. Em nossa nação, ao contrário, devido aos interesses privados, nossos projetos de metrô e ferrovia enfrentam entraves burocráticos, falta de continuidade administrativa e escassez de recursos. O resultado é um cenário de obras paralisadas e planejamentos que raramente saem do papel.

A diferença entre os dois países também pode ser percebida no impacto ambiental. Enquanto os trens de alta velocidade chineses oferecem uma alternativa sustentável ao transporte aéreo doméstico, por aqui continuamos priorizando combustíveis fósseis e o transporte rodoviário de longa distância. Essa escolha não apenas eleva as emissões de carbono, mas também gera custos sociais elevados em acidentes e manutenção.

Do ponto de vista social, a expansão do transporte coletivo de qualidade, no país oriental, ampliou o acesso da população ao trabalho, à educação e ao lazer. Já em nossas terras, a precariedade do transporte urbano perpetua desigualdades, uma vez que os trabalhadores das periferias gastam horas em deslocamentos diários, reforçando a segregação espacial e limitando a plena cidadania.

O papel do Estado é crucial para explicar a diferença. A China assumiu a mobilidade como prioridade estratégica, enquanto o Brasil delegou grande parte de sua política de transporte a interesses privados. Essa diferença de abordagem reflete projetos nacionais distintos: de um lado, uma nação que busca protagonismo global; de outro, um que ainda luta para resolver problemas básicos de urbanização.

O contraste entre metrôs e trens-bala de um lado e a realidade fragmentada do transporte por aqui demonstra como a infraestrutura é elemento central no desenvolvimento. A falta de planejamento e investimento contínuo compromete a competitividade brasileira e amplia desigualdades sociais, enquanto os chineses mostram como políticas públicas robustas podem transformar a mobilidade em ferramenta de integração nacional.

Precisamos refletir sobre isso. Enquanto a mobilidade urbana e ferroviária for tratada apenas como gasto e não como investimento estratégico para um projeto de desenvolvimento nacional, continuaremos reféns de um modelo insustentável. A experiência chinesa indica que, quando o transporte é priorizado como política pública, ele se converte em motor inclusão social e soberania.

06/09/2025 0 comments
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Cultura é Poder: O Cinema Brasileiro e a Disputa pelo Imaginário
Coluna do Peixe

Cultura é Poder: O Cinema Brasileiro e a Disputa pelo Imaginário

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 04/07/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A máxima “cultura é poder”, título do novo livro escrito pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) que esteve presente em Ouro Preto na última semana dentro da programação do CineOP, ganha ainda mais relevância no momento em que o cinema brasileiro volta a ocupar espaço de destaque no cenário nacional e internacional. 

A ideia, mais do que uma frase de efeito, expressa uma verdade estrutural: quem controla a produção simbólica influencia a forma como uma sociedade pensa, sente e age. Nesse sentido, compreender a cultura como instrumento de disputa política é essencial para valorizar — e defender — o papel central da arte na construção democrática.

No livro, a autora argumenta que a cultura deve ser encarada como um campo estratégico, com impactos diretos na formação da consciência e na organização da coletividade. Para além de entretenimento, esta é uma ferramenta de edificar identidades, memórias e visões de mundo. Essa dimensão simbólica, quando institucionalmente fortalecida, se transforma em base de poder — não o poder autoritário das armas, mas o poder duradouro da influência e do pertencimento.

Portanto, especialmente em momentos de crise política, que a cultura costuma ser um dos primeiros alvos das ditaduras. Controlar a narrativa, censurar artistas, desmontar políticas públicas culturais: tudo isso faz parte de uma estratégia que visa limitar a diversidade de pensamento e, por consequência, consolidar um único projeto autocrático. Vivemos essa tentativa de esvaziamento recentemente, quando esta foi tratada como gasto supérfluo e a classe artística transformada em inimiga pública.

A retomada de políticas culturais nos últimos anos, com a reativação do Ministério da Cultura, da Lei Rouanet e os investimentos via Lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc, representou não apenas um alívio para o setor, mas a reconquista de um espaço de cidadania. O cinema brasileiro, particularmente, tem sido um dos grandes protagonistas desse novo momento. Filmes recentes, não apenas conquistaram prêmios e prestígio internacional, como reafirmam que nossas histórias, quando bem contadas, têm enorme capacidade de mobilização e reconhecimento.

Essas produções mostram o Brasil real, plural, contraditório, distante das caricaturas midiáticas. Em um país de dimensões continentais e desigualdades históricas, o cinema tem cumprido um papel essencial de representação e visibilidade. Quando um filme brasileiro chega a Cannes, à Netflix ou às salas de cinema, ele não apenas emociona — mas comunica, resiste, educa. Como defende a autora, a cultura é, nesse sentido, um “ato político de afirmação da vida”.

Não se trata, portanto, apenas de uma “retomada criativa”. O que estamos testemunhando é uma reocupação simbólica de um campo que foi, por anos, submetido à asfixia institucional. O excelente momento do nosso cinema não é apenas resultado do talento dos diretores, roteiristas e técnicos — é fruto direto de uma política cultural ativa, estruturada e com financiamento público. Como alerta Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura, “sem Estado, não há cinema nacional que resista à concorrência desigual com a indústria hollywoodiana”.

Além disso, é importante observar como tudo isso se conecta a uma consciência política mais ampla. Nossas produções recentes não fogem do debate sobre racismo, desigualdade, LGBTfobia e violência. Eles não neutralizam conflitos — pelo contrário, os escancaram. E isso tem impacto direto sobre o imaginário coletivo, pois reintroduz em nossas telas algo historicamente excluído das narrativas hegemônicas. Representar é também distribuir poder.

E é aqui que a ideia de cultura como poder se afirma de forma mais nítida, ao moldar subjetividades, afirmar identidades, provocar debate público. Em tempos de guerra simbólica, como os que vivemos, onde as fake news e o negacionismo buscam colonizar a mente da população, a produção artística se torna ainda mais estratégica. Como mostra a autora, investir em cultura é defender a democracia — não como conceito abstrato, mas como experiência cotidiana.

O fortalecimento do cinema nacional também revela um ciclo virtuoso: investimento gera produção, que gera emprego, que gera público, que gera mais investimento. Parece besteira, mas não é. A cultura movimenta a economia, forma profissionais, gera inovação e contribui até mesmo para o nosso Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados da FIRJAN (2024), a economia criativa responde por mais de 3% do PIB brasileiro, com destaque para o audiovisual. Essa é mais uma dimensão concreta do “poder” da cultura — o de gerar riqueza e desenvolvimento.

O desafio, agora, é consolidar esse momento e blindar as políticas culturais de novos retrocessos. Como ficou evidente nos últimos anos, o desmonte pode ser rápido, mas a reconstrução é lenta. O cinema brasileiro voltou a respirar, mas ainda depende de fôlego político e institucional para seguir crescendo. Isso exige compromisso do Estado, mas também mobilização da sociedade. É preciso entender que cada filme nacional assistido é um gesto de resistência e valorização da nossa própria história.

A cultura, como diz Feghali, é onde o povo se reconhece e se reinventa. Ela é poder porque forma, transforma, denuncia e propõe. E, ao romper o silêncio imposto por tanto tempo, nosso cinema nos lembra de que não há futuro democrático sem liberdade de criação. Que se fortaleça, portanto, o poder de contar nossas histórias — com todas as cores, sons, dores e sonhos que nos constituem.

REFERÊNCIAS

FEGHALI, Jandira. Cultura é poder. São Paulo: Boitempo, 2023.

FERREIRA, Juca. Políticas culturais no Brasil: avanços, retrocessos e perspectivas. Revista Brasileira de Políticas Culturais, Brasília, v. 6, n. 2, p. 15-32, 2023.

FIRJAN – FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. A importância da economia criativa no Brasil. Rio de Janeiro: FIRJAN, 2024. Disponível em: https://www.firjan.com.br. Acesso em: 02 jul. 2025.

04/07/2025 0 comments
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Recomposição do orçamento das IFES: uma vitória parcial que exige suplementação
Coluna do Peixe

Recomposição do orçamento das IFES: uma vitória parcial que exige suplementação

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 02/06/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A recomposição parcial do orçamento das Instituições Federais de Ensino e Pesquisa (IFES) agora em maio foi, sem dúvida, uma vitória significativa, resultado de muita mobilização de reitores, técnicos, professores/pesquisadores e estudantes. Depois de sucessivos cortes orçamentários, que comprometeram o funcionamento básico das universidades e institutos federais, a decisão do governo federal de recompor parte dos recursos representa o mínimo, haja vista o papel dessas instituições para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país.

Entretanto, ainda que a recomposição seja, simbolicamente, uma reparação, na prática ela não resolve integralmente os graves problemas enfrentados. Segundo dados do Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e Administração (FORPLAD), mesmo com o ajuste, o orçamento de custeio das universidades federais permanece, em valores reais, abaixo do patamar de 2014, quando foi registrado um dos últimos aumentos significativos. A defasagem acumulada, portanto, compromete a capacidade de manutenção de sua estrutura, bem como a expansão de suas atividades.

Nos últimos anos, o cenário foi marcado por paralisação de obras, redução de bolsas estudantis e dificuldade para manutenção de laboratórios, hospitais universitários e políticas de assistência estudantil. Esta recomposição, embora necessária, é insuficiente para superar as perdas causadas por cerca de uma década de desinvestimento. Como destaca a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), muitas universidades ainda enfrentam problemas com contratos terceirizados, segurança patrimonial e infraestrutura física, algo que se repete nos Institutos Federais.

O impacto dessa insuficiência orçamentária não é apenas administrativo; ele recai diretamente sobre a comunidade acadêmica e a sociedade. Nos campi, estudantes lidam com salas de aula insalubres, bibliotecas desatualizadas e serviços de apoio precários. Em vários locais, a manutenção predial é realizada com verbas emergenciais ou por meio de parcerias pontuais, longe de constituir uma política institucional de longo prazo. Assim, mesmo com a recomposição parcial, a necessidade de suplementação orçamentária continua sendo uma pauta urgente.

Para além da questão estrutural, as IFES são responsáveis por uma expressiva parte da produção científica nacional. Dados do relatório “Science and Engineering Indicators” (2024) apontam que mais de 90% da pesquisa científica brasileira é realizada no âmbito das instituições públicas. A escassez de recursos compromete o financiamento de projetos, a atualização de equipamentos e a formação de novos pesquisadores, num momento em que o país enfrenta desafios estratégicos como a transição energética e a necessidade de reindustrialização.

A relação entre orçamento e qualidade acadêmica é direta. Pesquisas desenvolvidas por centros de excelência vinculados às IFES, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ou o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), só alcançam resultados expressivos com investimentos contínuos. A recomposição, nesse contexto, pode evitar o colapso, mas não garante a expansão e a competitividade internacional da ciência brasileira.

Outro ponto crucial é a função social das IFES na promoção da inclusão. Nos últimos vinte anos, essas instituições passaram por um processo robusto de democratização, ampliando o acesso de estudantes de baixa renda, negros, indígenas e quilombolas. As políticas de cotas, aliadas à assistência estudantil, garantiram que milhares de jovens pudessem ingressar e permanecer na universidade/instituto federal. A manutenção e o fortalecimento dessas políticas dependem diretamente de recursos financeiros, especialmente diante do aumento do custo de vida.

Neste cenário, a pressão da sociedade civil, de movimentos estudantis como a UNE, UBES e ANPG; de entidades representativas como a ANDIFES e o CONIF; sindicatos e entidades científicas, como a SBPC e a ABC, se faz fundamental para garantir que o debate sobre a suplementação orçamentária permaneça no centro da agenda política. Não se trata apenas de reivindicações corporativas, mas da defesa do direito à educação pública, gratuita e de qualidade, conforme a Constituição de 1988.

É preciso lembrar que o financiamento público da educação técnica e superior é um investimento, e não um gasto. Países que lideram rankings de inovação e desenvolvimento humano, como Alemanha, Canadá e Coreia do Sul, possuem sistemas robustos de financiamento às suas instituições públicas. O Brasil, que já deu passos importantes nesse sentido, não pode retroceder. A luta por orçamento é, portanto, apenas o primeiro passa de um processo que deve ser contínuo e planejado.

Portanto, a recomposição do orçamento das IFES representa uma justiça sendo feita, mas, para que essas instituições continuem a desempenhar seu papel estratégico, será indispensável a suplementação de recursos. O futuro do ensino federal público depende da decisão política de transformar a recomposição parcial em uma política de financiamento estruturada e permanente, capaz de garantir não apenas a sobrevivência, mas a excelência das universidades e institutos federais.

REFERÊNCIAS

ANDIFES – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS DIRIGENTES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR. Relatório de orçamento das universidades federais: 2025. Brasília: ANDIFES, 2025. Disponível em: https://www.andifes.org.br. Acesso em: 02 jun. 2025.

FORPLAD – FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO. Análise do orçamento das IFES: evolução histórica e desafios atuais. Brasília: FORPLAD, 2025. Disponível em: https://www.forplad.org.br. Acesso em: 02 jun. 2025.

INPA – INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA. Relatório de atividades científicas: 2024. Manaus: INPA, 2024. Disponível em: https://www.inpa.gov.br. Acesso em: 02 jun. 2025.

NATIONAL SCIENCE BOARD. Science and engineering indicators 2024. Alexandria: National Science Foundation, 2024. Disponível em: https://ncses.nsf.gov/indicators. Acesso em: 02 jun. 2025.

02/06/2025 0 comments
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Reborns e o esvaziamento relacional na sociedade
ColunasComportamentoReligião

Reborns e o esvaziamento relacional na sociedade

by Jean Sousa 02/06/2025
written by Jean Sousa

Nos últimos anos, o Brasil testemunhou a expansão silenciosa, mas significativa, de práticas que revelam o colapso das formas tradicionais de vínculo afetivo. Entre elas, destaca-se o fenômeno dos “bebês reborn”, bonecas hiper-realistas cuidadas como se fossem crianças vivas. Segundo a jornalista da Folha de São Paulo Vitória Macedo, no seu artigo (Por que mulheres são criticadas por ter ‘bebês reborn’, e o que isso diz sobre a maternidade), esse é um movimento que já acontecia nos EUA e chega no Brasil ganhando força entre mulheres de 40–70 anos. Um dos primeiros estados que apoiou a comunidade reborn, foi o Rio de Janeiro. Através do vereador Victor Hugo do partido MDB, que chegou a aprovar a criação do Dia da Cegonha Reborn. Vitor Hugo justifica que esses “bebês” são usados por psicólogos como ferramenta de apoio em casos de luto e traumas ligados à perda gestacional ou neonatal. Os reborns também têm sido uma forma de memória afetiva e conforto emocional para pais e mães que não têm ou não conseguem herdeiros.

É lícito observarmos que os objetos comercializados para decorar ou vestir os bebês, são vendidos por valores que ultrapassam R$ 3 mil e acompanhados de enxovais completos, certidões de nascimento e até rituais simbólicos de “adoção”, não são meros brinquedos ou itens de coleção. É óbvio que os bebês reborns, tem o seu espaço terapêutico, todavia, é necessárop analisar se os números realmente são consideráveis. Renato Dolci colunista do infoMoney diz que o movimento é muito hype, pouca estatística e trás uma análise sobre os bebês reborn sob a lente dos números. Renato trás dados da Market Report Analytics, a maior parte do público consumidor de bebês reborn é composta por mulheres adultas colecionadoras, que representam 60% do total. Em seguida, 25% dos casos envolvem o uso como presente infantil de categoria “premium”, destinado principalmente a crianças. O uso em terapia clínica aparece com 10%, sendo adotado por profissionais da saúde para fins terapêuticos. Há também jovens e homens envolvidos em fóruns e conteúdo, que representam 3% do consumo. Por fim, 2% do uso é institucional, incluindo escolas e produções cinematográficas.

Além dos dados, a comunidade tem sofrido uma parcela significativa das críticas aos vídeos sobre cuidados com “bebês reborn”, publicados nas redes sociais, aponta para a romantização excessiva da maternidade, frequentemente apresentada de forma idealizada e desvinculada das complexidades reais da experiência materna.

Bonecas realistas de participantes do encontro de bebês reborn — Foto: Arquivo Pessoal /UOL

Seria esse fenômeno expressões de uma subjetividade em crise, marcada por lutos não elaborados, solidão crônica e uma crescente incapacidade de estabelecer relações afetivas autênticas com a alteridade humana?

A comunidade que orbita em torno dos reborns não se reconhece como doente, mas como afetivamente sensível. Em grupos fechados no Facebook, fóruns no Reddit e canais de YouTube, mulheres em sua maioria adultas, algumas em luto por filhos perdidos, outras enfrentando a infertilidade ou o envelhecimento solitário, compartilham experiências, rotinas, cuidados e confissões com a mesma intensidade devocional que antes se via nas comunidades religiosas. Trata-se, no entanto, de uma religiosidade deslocada: o bebê reborn, inerte, incondicionalmente “presente”, não contesta, não frustra, não morre. É um filho ideal. Mas é também uma negação radical da alteridade, da imprevisibilidade e do sofrimento implicados em toda relação humana real.

Esse fenômeno não é isolado. Ele dialoga com outras tendências contemporâneas igualmente reveladoras de um deslocamento afetivo. A humanização de pets, por exemplo, transformou cães e gatos em substitutos simbólicos de filhos ou cônjuges. Dados da Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) revelam que o Brasil é o segundo maior mercado pet do mundo, movimentando cerca de R$ 60 bilhões por ano. Nesse universo, animais de estimação recebem cuidados antes reservados a seres humanos: festas de aniversário, psicólogos veterinários, planos de saúde e creches com câmeras para vigilância em tempo real. A publicidade e o consumo reforçam o discurso de que esses animais não são “como filhos”, mas filhos de fato.

Spot, Hexyc and Tibo — Foto: Richard Ansett/Channel 4

Humanos-pets

Mais recentemente, o fenômeno dos “humanos-pets”, pessoas que adotam identidade animal por meio de fantasias, performances e comunidades online, radicaliza esse processo. Em vez de atribuir a animais status humanos, o humano abdica de sua identidade para se integrar a uma comunidade onde pode ser cuidado, afagado, obedecer comandos, escapar das responsabilidades da linguagem e da história. Em todos esses casos, o óbvio irrefutável que se observa é uma fuga do real. O outro, quando existe, é domesticado; quando oferece risco, é substituído por um simulacro.

O denominador comum entre esses fenômenos é a tentativa de controle absoluto sobre o afeto. No reborn, a relação materna é destituída do risco. No pet, o vínculo é amoroso, mas assimétrico. No humano-pet, a identidade é dissolvida para que o acolhimento não implique reciprocidade. Não se trata apenas de um deslocamento da função simbólica do outro, mas da recusa de qualquer relação que implique dor, frustração, espera ou perda. Estamos diante de um novo regime afetivo, onde o amor não é mais um processo construído na alteridade, mas um produto moldado pela fantasia individual.

O impacto disso sobre a noção de comunidade é devastador. A convivência passa a ser mediada por simulações afetivas, e o senso de pertencimento se fragmenta em nichos, algoritmos e bolhas que reforçam identidades sem atrito. Comunidades tradicionais, como famílias extensas, igrejas, bairros e grupos de afinidade real (seja ele qual for), cedem espaço a comunidades performativas, onde o laço é mais imaginado do que vivido. A experiência do cuidado se transforma em consumo. A maternidade, em hobby. O afeto, em espetáculo.

É preciso cuidado para não tratar tais fenômenos apenas com escárnio ou desdém. A mulher que embala um reborn às 3h da manhã não é objeto de ridículo. Ela é o sintoma. Sua prática denuncia não apenas sua dor, mas a falência dos vínculos sociais que deveriam sustentá-la. O mesmo vale para o homem que, vestido como cão, rasteja entre semelhantes em convenções fetichistas ou vídeos virais. Se nos limitarmos à caricatura, perdemos a oportunidade de compreender a dimensão antropológica e política do que está em jogo.

Existe uma dimensão que não devemos descartar. Após a pandemia de covid-19, movimentos ligados a formas alternativas de afeto, cuidado e representação simbólica de vínculos, como o uso de bebês reborn, o crescimento do mercado pet e a emergência da cultura “humano pet”, ganharam visibilidade e adesão significativa em diferentes camadas da sociedade. A pandemia provocou um aumento considerável nos índices de solidão, ansiedade, depressão e suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência global de transtornos de ansiedade e depressão aumentou em mais de 25% no primeiro ano da crise sanitária (relatório publicado em março de 2022). No Brasil, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Fiocruz revelou que 40% da população relatou sintomas de ansiedade durante os períodos mais intensos de isolamento. Nesse contexto, a busca por vínculos simbólicos, ainda que artificiais ou performáticos, se intensificou como estratégia de enfrentamento psíquico e emocional. Os bebês reborn passaram a ser vistos não apenas como objetos de coleção, mas como companhias emocionalmente significativas para adultos solitários, em especial mulheres sem filhos ou em luto materno, que encontraram nesses bonecos hiper-realistas uma forma de substituição simbólica e cuidado projetado.

Diante dos dados, comentários e especulações, uma percepção fica clara, a subjetividade contemporânea está em busca de cura, mas escolhe caminhos estéticos em vez de comunitários; simbólicos, em vez de encarnados. O risco é que, ao optar por vínculos sem dor, estejamos também optando por vínculos sem verdade. A simulação do afeto oferece conforto imediato, mas não transforma. O filho ideal de vinil não cresce, não desafia, não perdoa. O pet não pergunta por seu legado. A comunidade performática não exige compromisso, apenas presença estética.

La Basílica de Guadalupe, Villa Gustavo A. Madero, Mexico City, CDMX, Mexico — Foto: UNSPLASH

Uma realidade para o nosso tempo

Assim como terapeutas, sociólogos, antropólogos, teólogos e pesquisadores em geral não podem deixar de observar esse fenômeno, a comunidade cristã, enquanto tal, também deve olhar para ele com atenção, especialmente os sacerdotes. Sim, esse fenômeno afeta, direta e indiretamente, a comunidade cristã, especialmente em suas formas de compreender o sofrimento, os vínculos afetivos e a construção simbólica da vida. Em um primeiro plano, o crescimento de práticas como a adoção emocional de bebês reborn, o “human pet” e a intensificação dos laços com animais de estimação revela uma demanda crescente por sentido, companhia e acolhimento em tempos de profunda crise existencial. Isso deve interpelar a comunidade cristã em sua missão de ser corpo acolhedor, solidário e relacional. Quando pessoas buscam suprir carências afetivas profundas em bonecos hiper-realistas ou em vínculos simulados, há uma pergunta implícita sobre onde está a igreja nesse cuidado e na escuta do sofrimento humano.

Além disso, a fé cristã possui uma doutrina robusta sobre o valor do corpo, do sofrimento, da comunhão e da esperança, que contrasta com respostas muitas vezes individualizadas ou simbólicas demais desses movimentos. Se, por um lado, o cuidado com o “bebê reborn” pode parecer um substituto inofensivo, por outro, pode indicar uma teologia ausente da realidade emocional das pessoas, especialmente das mulheres que enfrentam lutos, frustrações maternas, abandono ou solidão. A igreja corre o risco de se tornar irrelevante se não escutar os sinais culturais do tempo. E isso se amplia quando se considera que a teologia cristã é encarnacional, valoriza o encontro, a comunhão real e o cuidado concreto, não apenas simbólico. A igreja tem passado por mutações, inclusive em sua liderança e talvez tenhamos pouco afeto e engajamento por situações assim, mas algumas instituições podem exercer ainda mais essa sensibilidade e cuidado, essa é minha esperança.

Por fim, esses movimentos também colocam em questão temas como a idolatria do afeto (quando o objeto de cuidado se torna central demais), o culto à imagem (no caso dos reborns hiper-realistas) e o esvaziamento do valor do outro real, todos temas que desafiam a comunidade cristã a responder não com julgamentos apressados, mas com uma escuta pastoral atenta, teologia relevante e práticas comunitárias restauradoras. Ignorar esse fenômeno é abrir mão de dialogar com uma geração que, diante do luto coletivo e da solidão, está reinventando formas de amar, mesmo que simbólicas, artificiais ou performáticas. A igreja, se sensível e encarnada, pode ser um espaço de cura mais profundo e verdadeiro.

Em última instância, o que está em curso é uma erosão da alteridade como fundamento do vínculo humano. Não se trata de negar o valor do lúdico, do simbólico ou do afeto com animais. Trata-se de compreender que, quando esses elementos se tornam substitutos absolutos do outro humano, do vínculo real, do cuidado mútuo, deixamos de ser uma sociedade de laços para nos tornarmos uma sociedade de cenas, onde tudo pode ser encenado, menos o amor que transforma.

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Resenha do livro ‘A Casa das Sete Mulheres’, de Letícia Wierzchowski
Universo dos Livros

Resenha do livro ‘A Casa das Sete Mulheres’, de Letícia Wierzchowski

by João Paulo Silva 01/06/2025
written by João Paulo Silva

Lançado em 2002, o romance “A Casa das Sete Mulheres”, da escritora gaúcha Letícia Wierzchowski, rapidamente se firmou como uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea. Ambientado no sul do Brasil, durante os turbulentos anos da Revolução Farroupilha (1835-1845), o livro traz à tona uma perspectiva muitas vezes esquecida: a das mulheres que viveram à sombra da guerra.

A história gira em torno de sete mulheres da família de Bento Gonçalves, o conhecido líder farroupilha. Enquanto os homens partem para os campos de batalha, elas ficam isoladas numa estância, enfrentando seus próprios conflitos, dúvidas e anseios. Entre elas está Manuela, que se destaca com sua paixão impossível pelo revolucionário Giuseppe Garibaldi, um romance que mistura desejo, medo e o peso das expectativas familiares.

O que torna o livro tão especial é justamente esse olhar íntimo e sensível sobre o cotidiano feminino em tempos de guerra. Em vez de focar nas estratégias militares, Letícia convida o leitor a entrar nas casas, ouvir as conversas ao pé do fogo, ler os diários secretos e sentir a solidão dessas mulheres que esperam, rezam, sofrem e resistem. A autora resgata o lado humano do conflito, trazendo à luz dilemas morais, amores proibidos e o tipo de coragem que raramente entra para os livros de história.

Os diários de Manuela, por exemplo, são um dos recursos mais tocantes da narrativa. Eles não só aproximam o leitor ainda mais da personagem, mas também ajudam a construir a atmosfera emocional do livro. A linguagem é bem detalhista, repleta de referências culturais e históricas do sul do Brasil, e, em alguns momentos, até flerta com o realismo mágico ao incorporar elementos das lendas gaúchas.

O sucesso do livro foi tanto que, em 2003, ele ganhou uma adaptação para a televisão feita pela Rede Globo. A minissérie ajudou a popularizar ainda mais a história, embora tenha feito algumas mudanças na trama para caber na linguagem da TV.

“A Casa das Sete Mulheres” é uma homenagem à força das mulheres que, mesmo longe dos campos de batalha, também lutaram, cada uma à sua maneira. É uma leitura envolvente, que emociona e faz pensar, especialmente sobre o papel feminino em momentos decisivos da nossa história.

Se você gosta de histórias que misturam ficção com fatos históricos, e que dão voz a personagens femininas fortes e complexas, este livro é uma excelente escolha. Ah, e não deixe de assistir a minissérie baseada na obra, que está disponível no Globoplay.

01/06/2025 0 comments
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Crítica: ‘Dentro’, com Willem Dafoe, é imersivo e perturbador, mas limitado em sua complexidade dramática
Filmes

Crítica: ‘Dentro’, com Willem Dafoe, é imersivo e perturbador, mas limitado em sua complexidade dramática

by João Paulo Silva 26/05/2025
written by João Paulo Silva

“Dentro” (“Iside”) parte de uma premissa angustiante: Nemo, interpretado por Willem Dafoe (“Homem-Aranha”), um experiente ladrão de arte, se vê encurralado dentro de uma cobertura automatizada em Nova York após um assalto malsucedido. Ao invés de escapar com obras valiosas, ele se torna refém de um ambiente que, embora cercado de luxo e tecnologia, oferece condições cada vez mais inóspitas. Isolado do mundo exterior, sem acesso a água potável ou comida, Nemo enfrenta a degradação física e psicológica enquanto tenta encontrar uma saída. A proposta do longa é inverter a função do espaço de conforto e riqueza, transformando-o num campo de prova extremo para a resistência humana.

Em tempos marcados pela desigualdade, pela solidão urbana e pelo culto ao consumo, o filme toca em temas interessantes, como o colapso do indivíduo diante de estruturas que prometem segurança mas revelam opressão. No entanto, a condução narrativa feita pelo estreante diretor grego Vasilis Katsoupis deixa pouco espaço para interpretações plurais. O arco de transformação de Nemo, de invasor a sobrevivente, é construído de maneira direta, com pouco incentivo à reflexão sobre a complexidade do personagem ou das relações entre arte, poder e isolamento.

A ausência de contrapontos ao protagonista ou de perspectivas alternativas contribui para esse enquadramento único. A crítica ao esvaziamento das relações humanas e à estetização da vida parece restrita ao espaço simbólico da cobertura. Comparado a filmes que utilizam o confinamento para gerar reflexão existencial ou social, como o brasileiro “A Jaula” (2022),  “Dentro” opta por um caminho mais visual do que conceitual. A presença de câmeras de vigilância, objetos de arte e automatizações residenciais ajudam a criar um universo esteticamente coerente, mas que poderia ser mais explorado em termos de discurso.

Ainda assim, confinado em um único cenário, o diretor consegue explorar variações de luz, som e temperatura para criar tensão constante. A deterioração do espaço acompanha o colapso emocional do protagonista, e Willem Dafoe sustenta a narrativa entregando um desempenho intenso. A torre improvisada com móveis de design e a progressiva destruição da ordem visual do apartamento funcionam como expressões físicas do caos interno. Mesmo com participação mínima de outros personagens, como a funcionária que aparece nos monitores, o isolamento permanece absoluto e sufocante.

“Dentro” é um exercício estético de clausura que provoca desconforto e curiosidade. Embora sua força visual e a atuação de Dafoe sustentem o interesse até o fim, a falta de ambiguidade narrativa impede que o filme atinja seu pleno potencial simbólico. A obra permanece como um retrato sombrio da solidão contemporânea, mas que poderia ir além se permitisse ao espectador mais liberdade interpretativa.

Assista o trailer:

26/05/2025 0 comments
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Análise: Fat Family emociona o público em show tributo a Tim Maia
Notícias de Minas Gerais

Análise: Fat Family emociona o público em show tributo a Tim Maia

by João Paulo Silva 23/05/2025
written by João Paulo Silva

O grupo vocal Fat Family está apresentando pelo Brasil atualmente um show especial em homenagem a Tim Maia (1942-1998). Sempre com as casas cheias de fãs nostálgicos, os espetáculos celebram os 25 anos de trajetória do grupo e o legado do mestre da soul music brasileira com sucessos consagrados, interpretados com potência vocal e emoção e muita alegria. A apresentação faz parte do retorno oficial do trio às grandes apresentações.

Formado hoje por Suzete, Kátia e Simone Cipriano, o Fat Family surgiu em Sorocaba na década de 1990 e rapidamente se tornou um fenômeno nacional. Canções como “Jeito Sexy” marcaram presença nas rádios e seguem presentes na memória afetiva de muitos brasileiros.

Nesta nova fase, o grupo escolheu homenagear o “Síndico” como parte das comemorações de 25 anos de carreira. O repertório do show inclui faixas como “Gostava Tanto de Você”, “Azul da Cor do Mar”, “Sossego” e “Descobridor dos Sete Mares”, todas interpretadas com arranjos que respeitam a obra original, mas ganham um toque próprio com a identidade vocal do trio.

Durante mais de uma hora de apresentação, o trio demonstrou fôlego, entrosamento e domínio de palco. As vozes, bem encaixadas e com influências do gospel norte-americano, conduziram o espetáculo com segurança. A reação do público foi imediata, especialmente nos momentos em que os sucessos de Tim Maia ecoaram em uníssono pela plateia.

Um dos elementos que mais chamou atenção foi o figurino. As três cantoras usaram roupas brilhantes, confeccionadas com tecidos de lantejoulas e paetês, em tons de verde-esmeralda, rosa cintilante e prata metálico. A estética remete às grandes divas do soul e da disco music dos anos 1970 e 1980, evocando ícones como Donna Summer e The Supremes.

Os acessórios — óculos escuros grandes, colares, brincos de argola e maquiagens marcantes — reforçaram a presença de palco e a estética performática do grupo, criando uma unidade visual forte e coerente com a proposta do show.

“Fat Family canta Tim Maia” reafirma o valor cultural do grupo no cenário da música brasileira, unindo memória afetiva, excelência vocal e reverência a um dos maiores nomes da MPB e que foi uma de suas fontes de inspiração, o grupo mostra que continua relevante, mesmo após duas décadas de carreira.

Tive a oportunidade de assistir a um desses shows recentemente no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e a apresentação foi uma celebração da própria história do Fat Family. A conexão com o público segue firme, e a performance no Sesc Pinheiros deixa claro que ainda há muito fôlego para os próximos capítulos dessa linda e incrível trajetória.

23/05/2025 0 comments
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Resenha da coletânea ‘Literaturas africanas: em perspectiva’, organizada por Vanessa Riambau Pinheiro
Universo dos Livros

Resenha da coletânea ‘Literaturas africanas: em perspectiva’, organizada por Vanessa Riambau Pinheiro

by João Paulo Silva 20/05/2025
written by João Paulo Silva

A coletânea “Literaturas africanas: em perspectiva”, organizada por Vanessa Riambau Pinheiro e publicada pela Editora UFPB em 2025, reúne reflexões de estudiosos do grupo GeÁfricas e oferece ao leitor um mergulho plural nas expressões literárias contemporâneas de países africanos de língua portuguesa. Os textos, que variam entre ensaios teóricos, análises textuais e reflexões críticas, dão voz à complexidade da produção intelectual africana, em especial às questões de identidade, gênero e representação cultural.

Ao articular nomes como Mia Couto, Paulina Chiziane, Dina Salústio, Ondjaki e Fatou Diome, o volume mostra-se uma espécie de cartografia crítica do Sul, mapeando tensões entre tradição e modernidade, oralidade e escrita, invisibilidade e protagonismo. A literatura, aqui, cumpre a função de testemunha histórica e ato de resistência. “Liberdade adiada”, de Dina Salústio, por exemplo, não apenas apresenta a solidão feminina nas ilhas de Cabo Verde, mas evidencia o quanto a maternidade, a pobreza e a ausência de nome são formas simbólicas de apagamento.

Ao lado desse apagamento, há uma reinvenção radical da linguagem. No ensaio de abertura, Vanessa Pinheiro disseca a recepção controversa da obra de Mia Couto em Moçambique, especialmente após a publicação de “Vozes anoitecidas”. A crítica local recusou-lhe o “direito” de poetizar a miséria camponesa com lirismo e neologismos, como se a linguagem só pudesse servir à denúncia direta, sem espaço para a metáfora. A arte foi, então, acusada de “aburguesar” a dor popular. Mas a autora insiste: reinventar a linguagem é também descolonizar o idioma, não apenas pelo conteúdo, mas pelo gesto estético.

“Como é que esta língua vai transitando de proprietário, vai deixando de ser do outro para ser uma língua própria?”, indaga o próprio Mia Couto. Em vez de repetir a norma lusitana, sua escrita cria desvios, abre rachaduras, mistura a voz do poeta com a do povo e assume a responsabilidade de criar o “português moçambicano”. A resistência, aqui, é também gramatical.

A crítica ao universalismo eurocêntrico aparece em vários momentos da obra. Enquanto a academia brasileira ainda reproduz cânones estrangeiros, os textos reunidos neste livro enfatizam a necessidade de uma crítica decolonial. Judith Butler, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez e Achille Mbembe estão entre os nomes que ajudam a pensar a subjetividade negra, mas a coletânea se alicerça sobretudo na prática literária africana, não apenas em suas reverberações teóricas.

Entre os momentos mais potentes do livro, destaca-se o ensaio sobre Terra sonâmbula, de Mia Couto, considerado divisor de águas na consolidação da prosa moçambicana contemporânea. Publicado inicialmente em Portugal, o romance foi mais bem recebido no exterior do que em seu país natal. A crítica doméstica o acusava de “exotizar” a realidade local para agradar o olhar estrangeiro. Mas como lembra Francisco Noa, o que se apresenta é uma “linguagem inconformada”, própria de quem repensa a ideia de nação após a decepção com os projetos de independência.

Esse desconforto é recorrente em várias abordagens do livro. Dina Salústio, por exemplo, fala de mulheres anônimas, cansadas, sem tempo para o heroísmo. Suas personagens não pedem redenção, apenas que sejam vistas. A invisibilidade é uma dor ainda maior do que a exclusão.

“Sou a pegada do passo por acontecer”, escreveu Mia Couto em um de seus poemas. O verso parece atravessar toda a coletânea: as literaturas africanas aqui apresentadas são pegadas em construção, passos fragmentados de uma memória coletiva, dolorosa, mas em movimento.

“Literaturas africanas: em perspectiva” não é um tratado estático. É um corpo vivo, que se desloca entre o ensaio, a crítica, a denúncia e a esperança. Seus textos nos lembram que a literatura não precisa ser salvadora, basta que seja verdadeira. E ela o é.

Você pode fazer o download gratuitamente da obra no site da Editora UFPB.

20/05/2025 0 comments
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Breve análise da música 'A lei desse troço', de Paulo Miklos
ColunasMúsica

Breve análise da música ‘A lei desse troço’, de Paulo Miklos

by João Paulo Silva 17/05/2025
written by João Paulo Silva

Qualquer tentativa de explicar o tempo e a vida em voz alta corre o risco de tropeçar no silêncio.

Talvez por isso “A lei desse troço”, parceria de composição entre Emicida e Paulo Miklos, que abre o álbum “A Gente Mora no Agora” (2017), prefira cantar em vez de decifrar. Em vez de respostas, ela oferece passos, “terra e sapato”, e deixa que o tempo se revele no compasso de quem se refaz.

A canção nasce do encontro entre dois artistas de gerações e trajetórias diferentes, mas com algo em comum: a habilidade de transformar “ruínas” em poesia. Emicida, com sua escrita social, parece moldar o exato momento de transição vivido por Miklos, pós-Titãs. Já Miklos, artista múltiplo, entrega uma interpretação que é performance e testemunho.

“Trouxe o ontem no peito”, diz a canção logo de início, e esse verso carrega o tom do disco. Miklos não renega sua história, mas também não se prende a ela. Com a ajuda de Emicida, ele encontra uma forma de habitar esse novo espaço: o agora. Não o agora apressado que a vida exige, mas o agora vivido com presença que o tempo impõe a todos nós, onde chorar é tão legítimo quanto sorrir.

Aliás, o verso “chorar é importante igual sorrir” sintetiza uma ética que atravessa toda a música: o reconhecimento da vulnerabilidade como força. Não há superação milagrosa, não há reconhecimento fácil. Há alguém que se ergue dos destroços, que “mergulha nos fatos”, e que entende que viver é aceitar o imperfeito.

A composição, segundo a gravadora Deck, escrita entre papel, caneta e mensagens de celular, traduz essa fusão de versos que são pontes entre passado e presente, entre queda e reinício.

E é nesse ponto que a canção se torna “nossa”. Porque todos nós, de algum modo, trazemos “o ontem no peito” e tentamos morar no agora. E talvez seja justamente essa a tal lei desse troço: viver o agora com a inteireza de quem não nega o que passou, mas não se esquece de dançar, mesmo quando chove.

17/05/2025 0 comments
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Entre neblinas e ladeiras, Ouro Preto ainda encanta quem sabe olhar com afeto
Ouro PretoBlog do Rodolpho BohrerTurismo

Entre neblinas e ladeiras, Ouro Preto ainda encanta quem sabe olhar com afeto

by Rodolpho Bohrer 13/05/2025
written by Rodolpho Bohrer

Que Ouro Preto é uma cidade boa de visitar e melhor ainda de morar, todos já sabemos. Mas há algo de especial que se intensifica entre o outono e o fim do inverno: um encantamento silencioso que cobre as ladeiras com neblina e enche os espaços de música e encontros.

É nesse período do ano que a primeira cidade brasileira reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO se destaca com ainda mais força. O frio característico, somado a uma agenda diversa de festivais, cria um cenário único — onde a arquitetura barroca, coberta por bruma acinzentada, ganha vida com passos, vozes e histórias.

O CineOP, o Festival de Inverno, o Arraial do Pilar, o Fado das Cidades Históricas, Tudo é Jazz, a Festa dos Mineiros, os aniversários da cidade e das comunidades rurais. Os eventos se multiplicam como marcos no tempo e, ano após ano, se tornam mais do que atrações: são pontos de reencontro entre moradores, com a adição dos turistas, que não se importam em enfrentar ladeiras em busca de um pouco de calor humano — e identidade.

Você já parou para pensar no privilégio que é ter tantos encontros públicos gratuitos ao alcance de todos? Não estamos falando de megaeventos distantes da realidade local, mas de experiências reais, vivas, construídas com o jeito ouro-pretano de ser: singelo, tranquilo, acolhedor, com um charme que só quem vive ou viveu por lá entende de verdade.

Talvez seja preciso olhar de fora — ou de longe no tempo — para perceber a riqueza que habita o cotidiano. Há quem, diante de mágoas antigas, ressentimentos políticos ou mesmo de um jeito mais duro de enxergar o mundo, prefira destacar o que falta, o que falha, o que não agrada. É legítimo. Mas eu prefiro outro jeito. A cidade segue bela aos olhos de quem ainda vê com o coração.

A pergunta que fica, então, é simples e sincera: você tem olhado para a sua cidade com carinho?

13/05/2025 0 comments
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Resenha de Cultura Livre, copyright e a quimera
Universo dos LivrosBlog do Rodolpho Bohrer

Resenha de ‘Cultura Livre’ sobre copyright e a quimera, de Laurence Lessig

by Rodolpho Bohrer 13/05/2025
written by Rodolpho Bohrer

No Capítulo 11 do livro Cultura Livre, intitulado Quimera, o autor Laurence Lessig faz uma analogia entre a quimera — no contexto da genética, em que um único indivíduo pode ter dois DNA’s diferentes após um processo raro de fusão de embriões de gêmeos no útero — e a discussão sobre o copyright, alegando que esse é um debate sem um lado certo na história, pois há argumentos válidos e justos nos dois opostos. 

O autor tenta mostrar que aplicar uma política totalmente radical quanto aos direitos autorais, o que ele define como “tolerância zero”, poderia ser um retrocesso no processo de criação artística e inovação. Por exemplo, a falta de referências musicais que um artista poderia ter por não ter condições financeiras de acessar o conteúdo de uma diversidade maior de bandas diminui a sua “bagagem” ou, musicalmente falando, seu repertório cultural que serviria de inspiração para novas criações. Ao mesmo tempo, nesse capítulo, Lessig ainda não emite uma proposta para resolver a questão da radicalização, mas entende que tratar o tema aplicando medidas extremistas não é o caminho correto, fazendo também uma ressalva e crítica à “banalização total” dos direitos autorais, o que faria da internet uma “terra sem lei”, sem responsabilidades e consequências a quem faz o uso indiscriminado da criação alheia, ou seja, o outro extremo pode ser algo que também tenha um desfecho desfavorável, pois o criador pode não ter o estímulo suficiente para concretizar sua obra, já que ele não teria controle algum sobre ela em um território digital totalmente anárquico.

No início do capítulo, Lessig cita H. G. Wells ao contar parte de uma história sobre um alpinista que cai de uma ladeira e se depara com uma comunidade “cega” e que, gradativamente, seus membros o julgam por ele não ter características comuns do grupo, como, por exemplo, a audição aguçada. Eles entendem que a visão (literalmente falando) do alpinista é um devaneio, algo que me remeteu ao mito da caverna de Platão. 

Contudo, não entendo porque tantas letras foram usadas no capítulo para contar parte dessa história da “sociedade cega” sem que o autor chegasse a algum argumento de fato concreto, já iniciando em seguida uma nova abordagem, falando sobre quimera, sem fazer uma interligação direta entre a história do alpinista subjugado e direitos autorais. Foi uma abstração excessiva. Entendo que Lessig talvez quisesse argumentar que muitas vezes algo que nos parece “óbvio e cristalino” pode ser uma completa ignorância e desconhecimento para o outro, pois há muitas realidades distintas, culturalmente falando. 

Por fim, o autor faz um comparativo entre um “furto cultural materializado” e o que eu intitulo como “apropriação digital imprópria”, ao ilustrar a diferença alarmante das penalidades judiciais, na Califórnia, de se furtar um objeto como um CD em uma Lojas Americanas — essa com pena mais branda — e a de se reproduzir na internet uma música que não lhe pertence a milhares de pessoas, essa sim com penalidades graves — apesar de não haver objeto materializado envolvido — voltando a defender que a relação de copyright e cultura é um tema complexo demais. 

Lessig defende uma política que ele considera como “razoável” de copyright e revela que apresentaria uma proposta nesse sentido ao final do livro, todavia, ele entende que governamentalmente a postura adotada é cada vez mais intransigente, concedendo-se cada vez mais aos detentores do copyright o controle cultural da nossa sociedade em prol do combate à pirataria, o que, indiretamente, acaba extinguindo ou reduzindo drasticamente as possibilidades da imersão de novas criações com a imposição de um obstáculo para o intercâmbio cultural.

13/05/2025 0 comments
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Coluna do PeixeItabirito

BR-040 em Minas Gerais: um risco cotidiano na região de Itabirito

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 12/05/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A BR-040, uma das mais importantes rodovias do Brasil, corta Minas Gerais de ponta a ponta, ligando o estado ao Rio de Janeiro e a Brasília. No entanto, ao longo de seu traçado, o trecho próximo à saída da capital mineira se tornou, nos últimos anos, sinônimo de insegurança, medo e tragédia. Quem trafega por essa estrada conhece bem os perigos: curvas sinuosas, sinalização deficiente, acostamentos estreitos e um fluxo intenso de caminhões e veículos leves disputando cada metro de asfalto.

O problema, infelizmente, não é novidade. Relatórios do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e estudos do Observatório Nacional de Segurança Viária vêm apontando a BR-040 como uma das rodovias mais perigosas do país. Próximo a Itabirito, os índices de acidentes são particularmente alarmantes, com registros frequentes de colisões frontais, tombamentos de caminhões e atropelamentos. A combinação entre infraestrutura precária e tráfego pesado transformou esse trecho em uma verdadeira armadilha para motoristas e pedestres.

As causas são múltiplas. Além da geografia acidentada da região, que exige atenção redobrada dos motoristas, há um claro abandono das autoridades responsáveis. Buracos, desníveis e falta de manutenção são problemas crônicos que comprometem a segurança viária. Não à toa, moradores locais e usuários frequentes da rodovia relatam, há anos, a sensação de que trafegar por ali é um “jogo de roleta-russa”. O aumento do tráfego, puxado pelo crescimento desordenado e desregulamentado do setor minerário e pelo transporte de cargas, agravou ainda mais a situação.

O impacto humano dessas condições precárias é devastador. De acordo com dados do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, os acidentes na BR-040, mais uma vez na altura de Itabirito, resultam em dezenas de mortos e centenas de feridos todos os anos. Famílias destroçadas, vidas interrompidas e um rastro de sofrimento marcam a paisagem ao lado da rodovia. As cruzes improvisadas à beira da estrada são testemunhas silenciosas de um problema que poderia ser prevenido com ações mais contundentes.

Um fator que agrava os riscos é a deficiência na sinalização e na iluminação, especialmente à noite e em dias de chuva. Quem dirige nesse trecho percebe rapidamente que a pintura de solo é muitas vezes apagada, as placas estão sujas ou mal posicionadas e a iluminação pública, quando existe, é precária. Isso cria um cenário propício para erros humanos e acidentes graves.

Além do aspecto físico, há também o fator comportamental. Excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e desrespeito às leis de trânsito são condutas comuns por ali, especialmente entre os que circulam diariamente pelo trecho e acabam subestimando os riscos. Como destacam estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a combinação de más condições viárias com comportamentos imprudentes eleva exponencialmente a probabilidade de acidentes fatais.

Moradores do entorno e usuários da BR-040 vêm cobrando há anos melhorias estruturais e ações efetivas para reduzir possíveis tragédias. Audiências públicas, abaixo-assinados e protestos já foram realizados, mas as respostas têm sido lentas e pontuais. As pequenas intervenções feitas, como operações tapa-buraco e instalação de lombadas eletrônicas, são paliativas e não resolvem o problema de fundo, que exige duplicação de pistas, construção de acostamentos adequados e melhoria da drenagem.

Do ponto de vista econômico, a precariedade desta estrada impacta diretamente a região. Empresas enfrentam dificuldades logísticas, agricultores perdem produtos em acidentes ou atrasos e o turismo local, que poderia se beneficiar do charme histórico das cidades e das belezas naturais ao redor, sofre com a sua má fama. O prejuízo coletivo não é apenas em vidas humanas, mas também em oportunidades desperdiçadas para o desenvolvimento regional.

O problema também traz à tona uma reflexão mais ampla sobre a infraestrutura no Brasil. A BR-040 é apenas um dos muitos exemplos de rodovias federais que não acompanham a evolução do tráfego e das demandas econômicas do país. O modelo de concessão adotado para trechos da rodovia, incluindo pedágios, nem sempre (quase nunca) se traduz em melhorias efetivas, gerando frustração e sensação de abandono entre os usuários.

Enquanto isso, as estatísticas continuam a crescer. Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal, apenas em 2024 foram registrados mais de 300 acidentes neste trecho, com um aumento significativo em relação ao ano anterior. A cada nova tragédia, multiplicam-se as cobranças por investimentos mais robustos e por um plano estratégico capaz de transformar o local  em um eixo seguro de integração e não em um símbolo de insegurança.

Os especialistas são unânimes em apontar a necessidade de um projeto de requalificação urgente para o trecho. Isso inclui, entre outras medidas, a duplicação de pistas, o alargamento de curvas perigosas, a melhoria na sinalização, a instalação de barreiras de proteção e o reforço na fiscalização eletrônica. A execução desse projeto, no entanto, esbarra em questões políticas (principalmente) e orçamentárias que precisam ser enfrentadas com seriedade.

Por fim, fica claro que a BR-040, especialmente em Itabirito, tornou-se um retrato cruel do descaso com a vida humana e com a infraestrutura estratégica do país. É preciso romper com o ciclo de promessas não cumpridas e intervenções paliativas. A cada dia de inação, novas vítimas são somadas à trágica contabilidade da rodovia. E enquanto a solução não vem, milhares de motoristas continuam apostando sua sorte no asfalto perigoso, entre curvas estreitas e buracos profundos, com o coração apertado e os olhos atentos ao risco que encontram a cada quilômetro.

12/05/2025 0 comments
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Análise do filme ‘Conclave: a dualidade entre certeza e dúvida no poder religioso
FilmesColunas

Análise do filme ‘Conclave: a dualidade entre certeza e dúvida no poder religioso

by João Paulo Silva 26/04/2025
written by João Paulo Silva

“Conclave”, longa dirigido por Edward Berger, mergulha os amantes da sétima arte nas tensões que cercam o processo de eleição papal. Adaptado do best-seller homônimo do escritor Robert Harris, o filme oferece uma visão hollywoodiana sobre os bastidores do Vaticano, onde fé e poder se encontram. No centro da história está o cardeal Lawrence (interpretado por Ralph Fiennes), um homem de moralidade questionável, preso entre o desejo de renovar a Igreja Católica e os segredos que ela esconde.

— Se você aprecia histórias intensas e bem construídas, não deixe de ler nossa crítica de “Adolescência”, uma obra-prima do suspense psicológico britânico lançada na Netflix.

A história começa com a morte de um Papa, que deixa a Santa Sé sem líder e instaura um conclave para eleger seu sucessor. É durante esse processo que, conforme os cardeais se isolam para discutir a escolha de um novo Papa, a tensão entre fé e política emerge. Como Lawrence bem diz no início do filme: “Nossa fé é uma coisa viva precisamente porque anda de mãos dadas com a dúvida. Se houvesse apenas certeza e nenhuma dúvida, não haveria mistério. E, portanto, nenhuma necessidade de fé.” Essa frase abre as portas para a dualidade da trama: a busca por certezas espirituais em meio a um mar de dúvidas políticas e morais.

A direção de Berger, que já foi aclamado por seu trabalho em “Nada de Novo no Front”, de 2022, acentua essa tensão com uma fotografia contemplativa e planos longos dos corredores sombrios do Vaticano, que contrastam com diálogos afiados e carregados de intriga. A abordagem visual e narrativa tem a missão de criar um suspense psicológico, onde os personagens revelam suas ambições e medos de maneira.

O filme explora o poder espiritual da Igreja Católica e questiona o papel do Papa em um mundo moderno, onde a política e as questões de fé se entrelaçam. Ralph Fiennes brilha como o cardeal Lawrence em um desempenho complementado por outros grandes nomes, como Isabella Rossellini, que traz uma intensidade tranquila à trama.

É importante ressaltar que nem tudo o que está em “Conclave” é real e a sua missão principal é refletir sobre o poder, a fé e a dualidade entre certeza e dúvida dentro das instituições mais poderosas do mundo, ilustrando como o jogo pelo poder transcende o espiritual e entra no campo das ambições humanas. Mas tudo com uma visão cinematográfica para chamar a atenção, afinal o tema “Vaticano” mexe com a imaginação de muitas pessoas.

Assista o trailer:

26/04/2025 0 comments
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BBB 25: o que funcionou e o que deu errado na edição comemorativa do reality
TVColunas

BBB 25: o que funcionou e o que deu errado na edição comemorativa do reality

by João Paulo Silva 22/04/2025
written by João Paulo Silva

Chega ao fim nesta terça-feira (22), a 25ª edição do Big Brother Brasil, promovida como edição de aniversário e comemorativa pelos 60 anos da TV Globo, que teve inovações importantes, mas também enfrentou críticas. Com audiência abaixo da média histórica e repercussão limitada, o BBB 25 passou longe do sucesso esperado para uma temporada simbólica. O sistema de votação, que combinou voto único e voto de torcida, foi um dos pontos mais debatidos, reacendendo questionamentos sobre a representatividade das eliminações.

Mesmo com um elenco diversificado e a proposta de duplas com vínculos reais, como casais, genro e sogra, irmãos e amigos, o programa registrou a menor audiência da história do reality, segundo sites especializados. A ausência de personagens carismáticos e a falta de conflitos contribuíram para o desinteresse do público. Sem favoritos claros ou antagonistas marcantes, o programa perdeu engajamento e impactou diretamente na repercussão nas redes e nos paredões.

A aposta em duplas prometia novas estratégias e conflitos, mas na prática gerou um jogo mais ameno e emocionalmente previsível, parecendo-se mais com um sarau do que um reality show de confinamento. Os participantes evitaram confrontos, priorizando alianças pessoais em detrimento do jogo coletivo. Ainda que a diversidade do elenco tenha sido um avanço — com diferentes faixas etárias e origens sociais —, a maioria dos confinados mostrou pouco apetite competitivo, prejudicando o andamento do programa.

A produção apostou em novas dinâmicas, como o “Barrado no Baile”, o retorno do Quarto Secreto, um robô fofoqueiro, que usava vídeos para confrontar falas dos participantes, e até mesmo uma casa de vidro com participante dentro de um shopping no Rio de Janeiro. No entanto, esses recursos não surtiram efeito duradouro dentro da casa. A mudança de direção com a saída de Boninho e a entrada de Rodrigo Dourado também representou uma transição de estilo, mais experimental, mas com recepção dividida.

Um dos principais debates da temporada envolveu a mecânica de votação. O sistema híbrido, com peso igual entre voto ilimitado (torcida) e voto único por CPF, foi introduzido para equilibrar o jogo e evitar que torcidas organizadas dominassem os paredões. Na teoria, a mudança visava garantir mais representatividade ao público geral, mas na prática gerou controvérsia.

Paredões como o de Aline, eliminada mesmo sendo menos rejeitada no voto único, expuseram a fragilidade do sistema misto. Em votações apertadas, a decisão acabou favorecendo quem tinha torcida mais mobilizada, contrariando a intenção de democratização. A torcida de uma única participante, a Renata (incluindo a sua dupla, Eva) praticamente sequestrou o programa para si. Houve também desconfiança sobre o uso de robôs e campanhas coordenadas, especialmente na reta final, o que a emissora negou.

Comparado a edições como BBB 21, onde Juliette venceu com base em popularidade massiva refletida no voto ilimitado, ou BBB 24, em que a decisão foi mais previsível, o modelo do BBB 25 ampliou a sensação de imprevisibilidade — mas também de injustiça para parte do público.

O BBB 25 inovou, testou novos formatos e tentou resgatar o interesse do público, mas esbarrou em um elenco pouco engajado, dinâmica emocionalmente travada e um sistema de votação que ainda precisa ser aprimorado. A proposta de equilibrar voto de torcida com voto único é válida, mas requer ajustes — como maior peso ao CPF ou limitação de votos por conta — para realmente refletir o desejo da maioria e evitar distorções que comprometem a credibilidade do jogo.

A edição comemorativa termina com saldo inferior ao esperado e serve como alerta para que as próximas temporadas priorizem não apenas inovação técnica, mas principalmente a construção de uma narrativa forte e envolvente.

22/04/2025 0 comments
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O Campus de saúde da UFOP no Vale do Aço saiu do papel
Coluna do Peixe

O Campus de saúde da UFOP no Vale do Aço saiu do papel

by Pedro Luiz Teixeira de Camargo 01/04/2025
written by Pedro Luiz Teixeira de Camargo

A proposta do governo federal de criação de um campus de saúde da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) na cidade de Ipatinga é um gol de placa para o desenvolvimento educacional e socioeconômico da região. O Vale do Aço, formado pelas cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, possui uma população estimada em mais de 500 mil habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2024). No entanto, apesar de sua relevância demográfica e econômica, até então não se tinha de uma Universidade Federal ali!

Essa medida tem o potencial estratégico para o desenvolvimento mineiro, ampliando significativamente o acesso ao ensino superior público e gratuito. Atualmente, muitos jovens do Vale do Aço que desejam cursar medicina ou outras carreiras ligadas à saúde precisam se deslocar para cidades distantes, enfrentando barreiras geográficas e financeiras que limitam suas oportunidades educacionais. 

Além do impacto direto na educação superior, cursos na área de saúde também tendem a trazer benefícios à rede pública ali localizada, gerando um aumento da oferta de estágios, projetos de ensino, extensão e parcerias com hospitais e unidades de saúde locais. Isso pode possibilitar, ainda, a inserção de estudantes e professores em variadas atividades, promovendo melhorias nos variados tipos de serviços oferecidos à população.

Outro aspecto relevante é o papel que o campus pode desempenhar no desenvolvimento científico e tecnológico do Vale do Aço. A presença da UFOP tende a estimular a produção de conhecimento e a pesquisa acadêmica em diversas áreas, além de atrair investimentos e iniciativas voltadas à inovação. Esse processo pode impulsionar o crescimento econômico regional, gerando emprego e renda, especialmente nos setores vinculados ao arranjo produtivo local.

Essa medida também se alinha à necessidade de descentralização do ensino superior no Brasil. Historicamente, as universidades federais estão concentradas em capitais e grandes centros urbanos ou culturais, o que contribui para a perpetuação das desigualdades regionais. A criação desse campus representa um passo importante para a democratização do acesso à educação pública, gratuita, laica e de qualidade, bem como para a promoção da equidade territorial.

Ademais, esse campus tem potencial para estimular a integração com outros setores da sociedade civil e com o mercado de trabalho. Empresas da indústria do aço e do setor de serviços podem se beneficiar da proximidade com uma instituição de ensino superior desse porte, estabelecendo parcerias para a capacitação de mão de obra e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Isso cria um ciclo virtuoso de geração de oportunidades que vão além das fronteiras regionais!

Por fim, essa ação representa um marco histórico para o Vale do Aço. Trata-se de uma política pública de longo prazo, com impacto positivo na educação, na saúde, na economia e na qualidade de vida local. Consolidar Ipatinga como um polo de formação acadêmica e de desenvolvimento científico, tende a fortalecer o seu papel no cenário estadual e nacional, corrigindo um erro histórico de, até 2025, não termos uma Universidade Federal no berço da siderurgia mineira!

Referências

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativas populacionais para os municípios e para as unidades da federação brasileiras em 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 24 mar. 2025.

01/04/2025 0 comments
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Branca de Neve: a rainha, o espelho e o ‘efeito Mandela’
CinemaColunas

Branca de Neve: a rainha, o espelho e o ‘efeito Mandela’

by João Paulo Silva 31/03/2025
written by João Paulo Silva

Está em cartaz nos cinemas brasileiros a nova versão em live-action de Branca de Neve, lançada pela Disney. Diferente do que se esperava de uma releitura de um de seus maiores clássicos, o filme amarga desempenho nas bilheterias. Muitos atribuem esse fracasso à atriz Rachel Zegler, intérprete da protagonista, que se envolveu em polêmicas nas redes sociais durante a divulgação do filme. Suas declarações críticas a Donald Trump e de apoio à causa palestina geraram reações negativas, e, ao mesmo tempo, ela foi alvo de comentários racistas.

Ainda que esses elementos tenham influenciado a recepção do filme, eles não explicam, sozinhos, a frieza do público diante da nova Branca de Neve. A falta de inovação narrativa e estética pesou mais. Mesmo com a atriz israelense Gal Gadot no elenco, o filme pouco acrescenta à história já conhecida: é apenas mais uma versão com novo elenco, mas sem originalidade. O conteúdo, no fim das contas, não vai além do entretenimento.

+ Quando a educação salva: a escola como rede de apoio no livro ‘Preciosa’, de Sapphire

Mesmo assim, o conto de Branca de Neve ainda provoca reflexões interessantes. Uma delas envolve a famosa frase do espelho mágico, que muitos acreditam ser “Espelho, espelho meu…”. No entanto, na animação original da Disney, de 1937, a fala correta é “Mágico espelho meu: quem é mais bela do que eu?”. Esse erro coletivo é um exemplo do chamado efeito Mandela, fenômeno em que diversas pessoas compartilham uma lembrança incorreta de algo que nunca aconteceu da forma como é recordado.

Essa confusão entre lembrança e ficção encontra eco em um outro fenômeno das redes sociais, especialmente no TikTok, conhecido como shifting, ou mudança de realidade. Trata-se de uma prática em que jovens tentam vivenciar universos fictícios como se fossem reais — uma forma de fuga, de habitar temporariamente realidades idealizadas.

Voltando à narrativa original, uma questão central permanece relevante: por que a rainha deseja matar Branca de Neve, se é considerada tão bela quanto? Mais ainda, por que ela exige especificamente o coração da princesa, e não apenas sua aparência destruída? A resposta está na própria construção simbólica da personagem. A rainha não inveja apenas a beleza física de Branca de Neve, mas algo mais profundo — aquilo que o espelho enxerga como a verdadeira forma de beleza: o coração.

Na animação de 1937, quando a rainha ordena ao caçador que traga o coração da jovem, a crueldade do pedido revela o desejo de eliminar a essência da princesa, aquilo que a torna capaz de cativar a todos ao seu redor. É esse coração puro que impede o caçador de executar a ordem da rainha má. É ele que faz os animais da floresta se aproximarem da jovem. É ele que conquista a amizade dos sete anões e o amor do príncipe. O espelho mágico não mente. Quando responde que há outra mais bela, fala de uma beleza que vem de dentro.

Nos próprios dicionários, o adjetivo “bela” não está restrito à aparência. Ele também remete a nobreza de caráter, generosidade e bondade. A rainha pode ter uma aparência única, mas é Branca de Neve quem carrega a verdadeira beleza, a que transforma o mundo ao seu redor e inspira amor e lealdade. Essa é a diferença fundamental entre ser bela e parecer bela — um contraste que muitas vezes se perde nas versões modernas, mas que permanece essencial para entender a força do conto original.

31/03/2025 0 comments
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Seguidores nas redes sociais valem um emprego?
Colunas

Seguidores nas redes sociais valem um emprego?

by João Paulo Silva 13/03/2025
written by João Paulo Silva

A internet transformou radicalmente a forma como nos relacionamos, consumimos e, principalmente, trabalhamos. Atualmente, não é exagero afirmar que o número de seguidores nas redes sociais pode definir quem consegue – ou perde – uma oportunidade profissional. Uma situação recente trouxe novamente essa questão à tona: a escolha da atriz Bella Campos para interpretar Maria de Fátima no remake da novela “Vale Tudo” reacendeu a discussão sobre até que ponto os seguidores nas redes sociais influenciam decisões profissionais importantes.

De fato, a escolha de Bella Campos para o papel que originalmente consagrou Gloria Pires em 1988 gerou controvérsia. Rumores apontam que a decisão pela atriz não se limitou ao talento, mas também ao alcance expressivo de suas redes sociais, onde soma milhões de seguidores. Embora nem a emissora nem a atriz tenham confirmado essa versão, o debate em torno do assunto permanece aquecido. Afinal, seria justo um talento artístico ser preterido ou favorecido apenas com base em seguidores?

Essa discussão não é recente nem exclusiva da televisão brasileira. No mundo do entretenimento internacional, artistas renomados já relataram situações semelhantes. A atriz Elle Fanning (“Malévola”), por exemplo, admitiu ter perdido um papel importante por não possuir seguidores suficientes no Instagram. Sophie Turner, famosa pela personagem Sansa Stark na série “Game of Thrones”, revelou que conquistou um papel justamente por ter mais seguidores que uma concorrente considerada melhor tecnicamente pelos próprios produtores.

Mas por que essa preferência acontece? Na visão de investidores e produtores, artistas com maior alcance digital são vistos como apostas seguras devido à sua base fiel de seguidores, garantindo retorno financeiro e publicidade. Entretanto, o ator e diretor Ethan Hawke (“Boyhood: Da Infância à Juventude”) classificou essa prática como uma “loucura”, argumentando que popularidade digital não deveria prevalecer sobre a qualidade artística ou experiência.

Fora do universo artístico, o fenômeno também é evidente em outras áreas, especialmente em marketing, mídia e relações públicas. Nesses setores, a presença digital é quase uma pré-condição para vagas estratégicas. Recrutadores frequentemente solicitam números de seguidores, portfólios digitais ou exemplos de engajamento. Afinal, um candidato influente nas redes pode potencializar o alcance da marca, gerando negócios ou fortalecendo a imagem institucional.

No entanto, há o outro lado da moeda. Algumas empresas receiam contratar pessoas com muitos seguidores, principalmente influenciadores digitais, por medo de exposição negativa ou conflitos de interesses. Em certos casos, candidatos populares demais podem representar um risco à reputação corporativa, especialmente quando suas opiniões ou postagens divergem dos valores empresariais.

É essencial questionar: seguidores garantem competência? Uma audiência expressiva não significa necessariamente domínio técnico ou competência prática. Um influenciador pode saber conquistar atenção, mas isso não garante que tenha as habilidades técnicas necessárias para desempenhar bem uma função específica. Encontrar um equilíbrio torna-se, portanto, essencial. As redes sociais são ferramentas úteis e válidas para avaliação complementar de um candidato, mas jamais deveriam ser o critério decisivo e único na contratação. Por outro lado, os profissionais precisam estar atentos à sua presença digital, certificando-se de que o que publicam reflete positivamente suas competências e habilidades.

Nesse contexto, fica uma reflexão necessária: seguidores e popularidade digital podem abrir portas, mas o talento e as habilidades efetivas são o que realmente mantêm um profissional em destaque no mercado de trabalho. Afinal, popularidade atrai atenção, mas competência ainda é o melhor caminho para construir uma carreira sólida e duradoura.

13/03/2025 0 comments
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‘Mania de Você’: por que a novela das nove da Globo fracassou na audiência?
TV

‘Mania de Você’: por que a novela das nove da Globo fracassou na audiência?

by João Paulo Silva 11/03/2025
written by João Paulo Silva

Desde a estreia de “Mania de Você”, novela das nove escrita por João Emanuel Carneiro, espectadores e críticos de TV apontam inúmeros problemas, que se refletiram diretamente em sua baixa audiência. Comparável ao desastre histórico de “Anastácia, a Mulher sem Destino” (1967), escrita por Emiliano Queiroz e que foi salva por Janete Clair após um terremoto drástico no roteiro, a atual produção também necessitava de uma intervenção igualmente radical.

A trama central, que acompanha a amizade das protagonistas Viola (Gabz) e Luma (Agatha Moreira) em meio a um quarteto amoroso, nunca engatou de fato. Críticos destacaram a fragilidade e superficialidade da história principal, insuficiente para conquistar e manter o interesse do público. Além disso, os personagens centrais apresentaram desenvolvimento incoerente e perfis pouco carismáticos, o que dificultou ainda mais a empatia dos telespectadores.

A narrativa se mostrou acelerada e confusa desde as primeiras semanas. Tentando ajustar o ritmo, a direção realizou cortes abruptos que resultaram em episódios fragmentados e difíceis de acompanhar. Diversas situações também foram criticadas por falta de verossimilhança, como o polêmico episódio da prisão por plágio de uma receita culinária, que gerou reações negativas até mesmo de Ana Maria Braga em seu programa matinal.

A repercussão negativa rapidamente tomou conta das redes sociais, fator decisivo para afundar de vez a novela. O público reclamou principalmente da falta de coerência no roteiro, descrevendo-o como “sem pé nem cabeça” e “confuso”. Alguns personagens, como Edmilson, interpretado por Érico Brás, geraram antipatia, sem contribuir efetivamente para a narrativa.

Nem o talento de Adriana Esteves, que dá vida à dúbia Mércia, foi suficiente para salvar a trama. A atriz, conhecida por grandes personagens como Carminha em Avenida Brasil (2012), viu seu potencial desperdiçado em um papel raso e sem originalidade. Outros grandes nomes como Eliane Giardini e Adriana Ximenes enfrentaram dificuldades semelhantes, tirando “leite de pedra” para manter a dignidade artística diante do roteiro frágil.

Diante do fracasso, a Globo fez alterações emergenciais, trazendo de volta personagens eliminados precocemente e fazendo ajustes improvisados na narrativa, tentando recuperar a audiência perdida. Até mesmo o protagonista Rudá (Nicolas Prattes) acabou morto na trama, atendendo a pedidos de telespectadores descontentes. Um livramento pro ator, convenhamos.

Mania de Você ficará marcada como um alerta para a TV Globo: não basta ter elenco estelar, belos cenários e investimento técnico se o roteiro não cativar e não tiver consistência. Resta agora esperar qual será a reação da emissora diante de um tropeço tão significativo em sua principal faixa de novelas. O remake de “Vale Tudo”, por exemplo, já recebe críticas antes mesmo de estrear.

11/03/2025 0 comments
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