Casal tem primeiro filho homem após dez meninas e nascimento levanta questionamentos

Casal tem primeiro filho homem após dez meninas e nascimento levanta questionamentos

Uma mulher de 37 anos, moradora do estado de Haryana, na Índia, deu à luz seu 11º filho — um menino — após ter tido dez filhas anteriormente. O nascimento ocorreu em um hospital particular na cidade de Uchana, no distrito de Jind, e reacendeu debates sobre saúde materna e a preferência cultural por meninos no país.

Segundo os médicos do Hospital e Maternidade Ojas, o parto foi considerado de alto risco. De acordo com o Dr. Narveer Sheoran, três unidades de sangue foram necessárias durante o procedimento. Apesar das complicações, mãe e bebê receberam alta em menos de 24 horas e retornaram para a vila da família, no distrito de Fatehabad.

O parto foi conduzido pela ginecologista Santosh Sheoran, que também integra a equipe médica do hospital. “No fim, tudo transcorreu bem e tanto a mãe quanto o bebê estão estáveis”, informou o médico.

O pai, Sanjay Kumar, trabalhador diarista de 38 anos, afirmou que a família desejava ter um menino. “Queríamos muito um filho homem e algumas das minhas filhas também sonhavam em ter um irmão”, disse. Ele e a esposa estão casados há 19 anos e a maioria das filhas está na escola, sendo a mais velha estudante do 12º ano.

Mesmo reconhecendo o desejo pelo filho homem, Kumar afirmou que apoia a educação das meninas. “Dentro das minhas condições, tento oferecer estudo para todas elas. As meninas hoje podem fazer qualquer coisa. Já provaram seu valor”, declarou.

Nas redes sociais, o caso ganhou repercussão e levantou questionamentos sobre a persistência de padrões patriarcais e desigualdade de gênero na região. Em um dos vídeos que circularam, Kumar aparece tentando lembrar o nome de todas as filhas e se confunde algumas vezes.

Haryana tem historicamente uma das piores proporções entre meninos e meninas na Índia. Embora indicadores oficiais apontem melhora recente, o estado continua abaixo da média nacional, o que especialistas associam a fatores culturais, econômicos e sociais.

O caso volta a expor dilemas que vão além do núcleo familiar: o impacto de múltiplas gestações seguidas na saúde da mulher, a pressão por herdeiros homens e o desafio de promover igualdade de gênero em comunidades tradicionais.

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